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A CRIAÇÃO DE MOEDA, BANCA E CRISES: UMA OUTRA PERSPECTIVA – UMA NOVA SÉRIE SOBRE QUESTÕES DE ECONOMIA – 8. MARIO DRAGHI PODERÁ AINDA SER CAPAZ DE NOS CONVENCER DA EFICÁCIA DA QUANTITATIVE EASING? – II

Falareconomia1

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Mario Draghi poderá ainda ser capaz de nos convencer da eficácia da Quantitative Easing?

 Romaric Godin, Mario Draghi peut-il encore convaincre de l’efficacité du QE ?

La Tribune, 10 de Março de 2016

(conclusão)

O problema da credibilidade

A confiança no BCE não é um dado adquirido. E este é pois o nó górdio que Mario Draghi enfrenta. Deve restabelecer  a credibilidade do BCE com as medidas que só podem trabalhar com uma total confiança nas acções do BCE. A serpente morde a sua própria  cauda e a política monetária permanece perdida no labirinto.

Porque  a própria eficácia das medidas propostas pode ser questionada. Ignora-se o montante exacto de resgates de dívidas privadas, nem a viabilidade técnica e jurídica dessas acções num  mercado pouco líquido. O BCE terá que avançar  com cuidado e não se tornar o actor que define os preços neste mercado, caso contrário, como é que  poderia sair-se sem causar no futuro um  “crash do mercado das obrigações”? O resgate maciço de empréstimos do BEI é positivo, mas qual o seu  interesse se o BEI  não muda a sua política e não se torna mais activo? No final, 240 mil milhões de euros mais para agir sobre  a economia real, é pouco. A taxa de depósito negativa  já mostrou a sua fraca influência e as taxas de refinanciamento  já  não são pertinentes  para os bancos. Quanto à  TLTRO II é uma ferramenta sedutora e pertinente  mas será ele suficientemente eficaz se não houver procura de crédito das empresas ?

A opção  orçamental  é improvável

O BCE chega ao limite  das  suas possibilidades. A impossibilidade  na estrutura da zona neuro  posta em prática  em 2011-2013 de se levar a cabo  um genuíno estímulo orçamental  para agir sobre a procura complica ainda mais  o problema. O compromisso sucessivamente repetido do BCE quanto a estas regras é normal e lógico para uma “instituição federal” da zona euro. Mas também fere a sua credibilidade. A afirmação de Mario Draghi de que um “enviesamento  ligeiramente positivo” da política fiscal na zona do euro aparece como a prova de uma cegueira de que não se pode participar na construção da confiança necessária ao BCE.

Uma última cartada?

Mario Draghi lançou uma das suas últimas cartas. Será que ele tem muitas mais? Nada é menos certo, mas as medidas que anteriormente pareciam tão extremas  como a utilização da moeda de helicóptero são claramente agora uma possibilidade. Seria uma maneira de agir sobre a procura, embora não seja certo que este método se mostre  mais eficaz do que a política orçamental . É certo que o BCE não quer actualmente  pensar nisso, Mario  Draghi afirmou-o  na quinta-feira 10 de Março, mas face a uma política que  também mostra limites bem  claros, quem sabe até onde é que o banco central irá? A resposta a esta pergunta depende provavelmente da relação  interna no seio do BCE e da influência relativa do Bundesbank  e de Mario Draghi.

Romaric Godin, La Tribune, Mario Draghi peut-il encore convaincre de l’efficacité du QE. Texto disponível em :

http://www.latribune.fr/economie/union-europeenne/mario-draghi-peut-il-encore-convaincre-de-l-efficacite-du-qe-556300.html

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Nota do Tradutor : Resumo das decisões tomadas pelo BCE :

 

Policy rates

Unconventional measurers

Forward guidance

Main features

In addition, banks will be allowed to repay currently outstanding LTROs in June 2016, thus allowing full roll over of amounts borrowed under the current TLTROs into TLTRO.

Main difference compared to previous round

New corporate bond purchasing program

Changes to EU/international institutions envelope

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