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FRATERNIZAR – Novo Livro do Pe. Mário de Oliveira / Seda Publicações A BÍBLIA OU JESUS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

A pergunta, “A Bíblia ou Jesus?”, tal como se apresenta formulada, a identificar o novo Livro (137 pgs) do Pe. Mário de Oliveira, é fecundamente perturbadora. No nosso hoje-e-aqui ocidental e até mundial, soa como desafiadora bomba teológica, capaz de abalar os próprios fundamentos da chamada civilização judeo-cristã-islâmica em que nascemos e estamos inseridos. Só porque a proposição que liga os dois substantivos da pergunta é a disjuntiva “ou”, não a copulativa “e”. É por isso um Livro que pode estimular os muitos ateus e agnósticos deste nosso século XXI, mai-lo gigantesco universo dos crentes religiosos católicos ou protestantes não praticantes, a abeirar-se dele, num misto de curiosidade e de saudável auto-interpelação. Afinal, as suas posturas ateístas, agnósticas e de crentes não praticantes podem não andar assim tão distantes do Deus de Jesus, ainda que andem totalmente distantes do Deus da Bíblia, do Alcorão e dos demais Livros sagrados. Em contrapartida, deixa os crentes cristãos, católicos e protestantes indubitavelmente perplexos, senão mesmo de pé atrás, uma vez que para eles a Bíblia é (quase) o seu Deus. E se não é o seu Deus, o Deus deles é sem dúvida o da Bíblia/ Alcorão.

A pergunta do título ligada pela disjuntiva “ou”, em vez de pela mais do que expectável, pelo menos para todos os cristãos e respectivas igrejas, copulativa “e”, coloca-nos perante duas realidades não complementares, como até hoje sempre nos tem sido ensinado, geração após geração, mas opostas. À semelhança da afirmação teologicamente incómoda de Jesus histórico, ainda hoje não assumida nem sequer pelas próprias igrejas,“Ou Deus, ou o Dinheiro” (Mateus 6, 24). Pelo que, à luz desta coerente postura política de Jesus, quantas, quantos amam-servem o Dinheiro, igrejas que se digam, não amam-servem Deus. Ou, em palavras ainda mais realistas e duras, quem ama o Dinheiro, odeia Deus. Quem ama-serve o Dinheiro odeia os seres humanos e os povos, o próprio planeta Terra. De igual modo, havemos de concluir que à luz deste novo Livro do Pe. Mário de Oliveira, para mais teologicamente bem fundamentado, temos também de dizer, Quem vai pela Bíblia e pelo Deus da Bíblia não vai por Jesus nem pelo Deus de Jesus.

Antes ainda de abrirmos o Livro, fixemos a nossa atenção no pequeno texto da contracapa. Todo ele vem confirmar o acabado de escrever até aqui. Embora curto, o Texto é suficientemente claro. “Provavelmente, a pergunta que faz o título de capa deste Livro nunca terá sido formulada por ninguém.” É assim que começa o curto Texto. E porque é que a Pergunta nunca foi formulada por ninguém? Porque formulá-la, será pôr em causa todas as religiões do Livro (= Bíblia e Alcorão). A pergunta nem sequer chega a ser formulada por Jesus, o de antes do cristianismo, uma vez que ele é parte na causa. Mas já pode e deve – tem de – ser formulada pelas discípulas, pelos discípulos dele de todos os tempos, também deste terceiro milénio, dos quais, ao contrário do que continuam a ensinar-nos ainda hoje, não fazem parte os Doze do início que nunca deram a sua adesão a Jesus, pelo contrário, sempre foram os seus mais próximos opositores e, por fim, até os que o traíram e entregaram aos sumos sacerdotes de Jerusalém, na pessoa de Judas, o último da lista, mas a mando de Pedro, o primeiro da lista e com o consenso dos outros dez. Como num qualquer partido político apostado em tomar o Poder, onde a palavra do chefe, depois de concluído o debate interno, é a palavra de todos os seus próximos. Como num juramento de sangue que não admite dissidentes.

Percebemos, depois, com um olhar atento aos títulos de cada um dos 14 capítulos, surpreendentemente, subdivididos em versículos como os livros da Bíblia, que, afinal, nem todos os livros que nos têm sido apresentados como da Bíblia, são parte dela. E não deveriam sequer estar lá, nem sequer na chamada Bíblia judeo-cristã, como ainda hoje estão. Esta é uma outra verdade histórica que deixará inevitavelmente perturbados muitos pastores e muitos biblistas das diferentes igrejas cristãs e respectivas universidades confessionais. Mas assim é. Temos de nos habituar a acolher a verdade histórica e a praticá-la /vivê-la. Porque só a verdade praticada nos faz livres. E sem liberdade, ninguém pode falar em seres humanos e povos.

É mais do que manifesto que ainda hoje, quase não há seres humanos e povos, só porque não há liberdade praticada. A Mentira praticada tem estado aí ao comando de todos os institucionais do Poder. E estes nunca podem promover a liberdade dos seres humanos e povos. Seria o seu próprio fim. O poder pressupõe que os seres humanos, quando o reconhecem, aceitam renunciar à liberdade praticada. Ficam-se por um arremedo de liberdade que lhes dá o direito de se exprimir e de se manifestar sem constrangimentos, mas não até ao ponto de o pôr em causa a ele, que lhes permite falar e manifestar-se. E sempre que lhes dá na veneta, os seres humanos e os povos protestam e manifestam-se ruidosamente nas ruas, mas o Poder continua impávido nos seus palácios. E para prevenir-reprimir possíveis excessos, lá estão, como último reduto exclusivo do Poder instituído, a Polícia de intervenção e de choque e os Exércitos armados prontos a intervir por terra, mar e ar contra os povos politicamente insurrectos

À medida que mergulhamos nos capítulos e versículos que constituem este Livro, começamos a cair na conta de que, afinal, ao contrário do que nos têm ensinado todas as igrejas cristãs e religiões, não há apenas um Deus, para cúmulo, todo-poderoso, a quem é preciso agradar-desagravar-louvar, sob pena de choverem sobre os povos castigos de toda a ordem, como de resto, superabundam relatos desses nos múltiplos livros da Bíblia-Alcorão. Há, pelo menos, duas concepções de Deus, diametralmente opostas. Há, de um lado, o Deus da Bíblia-Alcorão e das religiões, com distintos nomes, segundo o credo de cada uma; e há, de outro lado, o Deus de Jesus. Quando queremos perceber qual o verdadeiro e qual o falso, o presente Livro leva-nos a ver e a concluir que só o Sopro ou Ruah do Deus de Jesus nos potencia a todas, todos de dentro para fora e nos faz crescer em humano e em protagonismo na história. O que constitui motivo de alegria para os povos que se reconhecem habitados por Ele e, como Jesus Nazaré, lhe dão oportunidade de ser Deus neles e com eles, como se Ele não existisse. Quem, neste caso, fica aos papéis são os crentes religiosos praticantes ou não, juntamente, com os ateus e agnósticos.

A concluir esta Nota informativa sobre este novo Livro do Pe. Mário de Oliveira /Seda Publicações, fiquem a conhecer o versículo 1 do último capítulo: “Se há coisa abominável para a Bíblia judeo-cristã e para as igrejas cristãs, com destaque para a católica romana, é a existência de homossexuais, lésbicas, bissexuais, transsexuais.” E, já agora, também o versículo 1, do primeiro capítulo: “Em nome da Bíblia, têm sido cometidos os crimes mais horrendos da história da humanidade. Tal como em nome do Alcorão. E todos eles justificados, ideológica e teologicamente.”

(Informação prática: Este Livro, adquirido em mão ao Autor, custa apenas 10€. Com custos do envio pelos CTT, 12,50€. Nib:0007 0000 0077 5184 2312 3)

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