FRATERNIZAR – Deixemos Fátima e os clérigos que a criaram a falar sozinhos e ocupemo-nos com a grande Pergunta – A BÍBLIA OU JESUS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Quando em Maio 2015, avanço com a publicação do meu mais conseguido Livro sobre o teatrinho das aparições de Fátima (Parte 1, em 10 capítulos; Parte 2, em 4 capítulos) e deixo bem claro que há duas Fátima distintas – Fátima1 e Fátima 2 – nenhuma delas verdadeira, muito menos a 2, criada a partir de 1935 por um núcleo restrito de clérigos sem escrúpulos, escondidos sob o pseudónimo de “Memórias de Irmã Lúcia”, tenho já em mente a publicação, em 2017, de um outro Livro que nos coloque a todas, todos – crentes, agnósticos, ateus – perante a mais perturbadora das Perguntas, a saber, A BÍBLIA OU JESUS?

Surpreendentemente, ou talvez não, a Pergunta acaba até como título de capa do Livro (137 pgs, em 14 capítulos), editado precisamente em Abril 2017, Seda Publicações. Pretendo com esta minha postura desviar o foco das atenções dos grandes media e dos seus profissionais, do não-evento chamado, “Aparições” de Fátima, e concentrá-lo inteiro na grande Pergunta que este início do terceiro milénio nos impõe, depois de dois milénios de cristianismo católico e protestante e de Civilização Ocidental por ele gerada, alimentada e, até, teologicamente justificada, apesar de estruturalmente sádica e cruel, como revelam bem os seus frutos.

A verdade é que, na sua esmagadora maioria, até os profissionais dos grandes media vieram a revelar-se de tal modo apanhados pelos cem anos do não-evento “aparições” de Fátima, que o mês de maio vai já no fim e eles e seus grandes media continuam sem se aperceber deste meu novo Livro, muito menos, de quão fecundamente perturbador é todo o seu conteúdo.

Sou o primeiro a compreender esta mais do que previsível postura dos profissionais dos grandes media e da generalidade dos intelectuais e académicos. Todos eles integram a civilização ocidental gerada e alimentada pelos dois mil anos de cristianismo. Podem, hoje, muitos deles, dizer-se ateus ou agnósticos. O que não podem é dizer que não são cristãos. Toda a sua formação de base e ambiental, como todo o seu saber, andam afectados pelo vírus do cristianismo. As suas mentes-consciências continuam possessas pela mais perversa das ideologias-teologias, que é a ideologia-teologia do cristianismo ou messianismo bíblico-davídico cristão e islâmico.

O simples facto de se terem afastado definitivamente da igreja católica romana ou de alguma das inúmeras igrejas protestantes, não os fez mudar de ser. Muito menos, mudar de concepção de Deus. Pelo contrário, continuam, uns mais, outros menos, a pensar cristão, a projectar cristão, a escrever-falar cristão, a agir cristão. Com a agravante do ateísmo cristão de que se orgulham, poder vir a tornar-se, surpreendentemente, ainda mais inumano que o religioso, inclusive, o da chamada religiosidade popular.

É verdade que não os leva a rastejar a céu aberto, perante a imagem da senhora de fátima, ou outras, mas pode levá-los – e está a levar muitos deles – a rastejar perante os administradores dos grandes media e das grandes empresas multinacionais que os contratam e lhes pagam. Porque o ateísmo que professam mais não é do que a outra face do cristianismo.

Durante séculos e séculos, o cristianismo foi indiscutivelmente religioso. Porém, a partir do Renascimento e, sobretudo, da Revolução Francesa, tem adquirido progressivamente a face secular e laica, inclusive, ateia e agnóstica. Exactamente, a que está hoje cada vez mais na moda. Porque é também a que abre mais portas, nomeadamente, as das grandes empresas multinacionais e respectivas administrações. O que, só por si, mostra bem que é nesta versão laica, ateia ou agnóstica que o cristianismo atinge, neste início do terceiro milénio, o grau máximo da Crueldade, do Inumano, do Amoral, do Intolerável.

Basta atentar como é o ser-viver de quantos dão corpo às administrações das grandes empresas multinacionais e dos grandes Negócios. Nunca o cristianismo atingiu tão alto grau de Crueldade, como neste início do terceiro milénio que se diz e é pós-cristão, mas apenas na sua face religiosa, não na sua face ateia e agnóstica. Daí a grande, oportuna e perturbadora Pergunta que faz o título do meu Livro, A BÍBLIA OU JESUS?

Nunca, em dois mil anos de cristianismo religioso erudito e popular, esta Pergunta foi alguma vez formulada. Nem podia. Não estavam criadas as condições históricas, culturais, científicas, ambientais que a tornassem audível, inclusive, a quantas, quantos continuamos a ter de viver neste tipo de mundo formatado pelo cristianismo – não há outro – mas que já não somos dele. É, precisamente, entre estes seres humanos que vivemos neste tipo de mundo, mas que já não somos dele, que a Pergunta consegue, finalmente, fazer-se ouvir e ser verbalmente formulada.

Quem continua de pedra e cal neste tipo de mundo cristão religioso ou ateu, jamais pode escutar e ver o Essencial, sempre invisível e inaudível aos olhos e aos ouvidos das suas mentes-consciências. E, mesmo depois de escutada e formulada a Pergunta, serão estes os que mais resistência lhe levantam, na desesperada tentativa de impedir que este tipo de mundo que lhes garante e aos seus familiares mais próximos, privilégios sem conta e um estatuto social invejável, apareça aos olhos de todos os povos como um tipo de mundo eticamente indefensável e logo o façam cair, porque edificado sobre a areia.

O que teria acontecido se, no dia 12 de Maio, por exemplo, o dia da chegada do papa Francisco ao aeroporto de Monte Real, as manchetes dos principais matutinos portugueses e dos notíciários das tvs e das rádios reproduzissem, como um pedido-desafio meu, “Deixemos Fátima e os clérigos que a criaram a falar sozinhos e encaremos de frente a grande Pergunta que este início de terceiro milénio nos coloca a todas, todos – crentes, ateus e agnósticos, A BÍBLIA OU JESUS?”

Quem diz Bíblia, diz, obviamente, todos os livros tidos por sagrados. Quem diz Jesus, diz o filho de Maria, o ser humano pleno e integral, assassinado na cruz do império de Roma, em Abril do ano 30, por se ter atrevido a dizer o que os olhos e os ouvidos da sua mente-consciência cordial vêem e escutam, concretamente, que todos os sistemas de Poder vão nus, por mais sagrados que se digam e se apresentem. Uma vez que o Deus da Bíblia que os suporta-justifica e ao seu Poder não passa de mera projecção-criação deles, um ídolo, portanto, o inimigo n.º 1 dos seres humanos e dos povos. Sim, o que teria acontecido?

www.jornalfraternizar.pt

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

2 comments

  1. MARIA MALUCA

    Teria sido o desmoronar de um Império de mentiras – até o calendário é mentira! Teria sido o desmoronar de toda uma sociedade mundial que construiu o seu poder financeiro, político e religioso ao longo de dois mil anos em torno destas mentiras, sustentadas à custa de torturas, mortes, perseguições, desacreditação pública de quem mostra a verdade, roubos, violações…obrigando os povos a curvarem-se perante todas estas ignomínias e a assumirem-nas como verdades indiscutíveis. Seria o desmoronar do IMPÉRIO DO MEDO! E, como escreveu Mia Couto, “Há quem tenha medo que o medo acabe”…

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  2. Mário Pais de Oliveira

    Ora aqui está um comentário pleno de Lucidez cordial. Todos os insttucionais e os seus media trabalham dia e noite para alimentar o medo. Porque se o medo acabar na mente-consciência dos povos, quem os segura? Até o nuclear não passa de um tigre de papel. Pratiquemos a Verdade histórica e somos livres, por isso, HUMANOS. Um beijo Maria, que de Maluca não tem nada.

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