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FRATERNIZAR – Jornadas Mundiais 2022 em Portugal – DOS JOVENS OU DO PAPA E SEUS CLÉRIGOS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

 

Segundo rezam as estatísticas oficiais, cresce em muitas partes do mundo a perseguição aos cristãos católicos e não-católicos. Enquanto nos países do Ocidente, o que cresce é o abandono puro e simples da igreja católica romana, dos seus locais de culto e dos seus sacramentos, a começar pelos do baptismo e da missa de domingo, e a acabar nos da ordem e do matrimónio. Um abandono com muito de desprezo, de nem sequer querer saber o que seja isso de sacramentos. Cresce também, cumulativamente e de forma galopante, a falta de candidatos a clérigos. Nem as ruidosas JMJ, realizadas de três em três anos, conseguem convencê-los – elas nem sequer podem chegar-se à frente, já que ser clérigo é coisa de homem, e de homem célibe, não de mulher – a enveredar por essa profissão, porque de profissão se trata. Clérigos nós, jovens século XXI? Não, obrigado!, dizem os que hoje frequentam as universidades do Ocidente.

Esta é uma inusitada realidade que eu próprio, na minha condição de presbítero-jornalista, por isso, não-clérigo, vejo como muito positiva e por isso saúdo e canto. Tal como Deus que nunca ninguém viu e se nos dá a conhecer em Jesus Nazaré, certamente também saúda e canta, já que não nos faz clérigos, mas mulheres e homens em radical igualdade e em toda a variedade de géneros. Clérigos é coisa de macho. De Poder. Por isso, criação do anti-Deus, o de Jesus. Clérigos – quem o ignora, depois de 16 séculos de Cristandade?! – estão aí só para dominar, castrar, roubar, matar, destruir. Em especial, as mentes-consciências das pessoas e dos povos. Antes de mais, das crianças e dos jovens.

Uma refinada especialidade dos clérigos, com destaque para os jesuítas de Inácio de Loyola, século XVI, e, hoje, de Francisco, oriundo da Argentina, o primeiro cardeal jesuíta a ser eleito papa pela Cúria romana. Ao arrepio de todos os usos e costumes. Prova provada de que isto de igreja católica romana no mundo já só lá vai com mais e mais domínio das mentes-consciências das pessoas e dos povos. Sem olhar a meios para obter os fins em vista. Quando afinal – quem não vê? – o terceiro milénio, do que mais precisa é de jovens e adultos especializados, não em dominar, mas em Cuidar da Vida e dos vivos em todas as suas manifestações e diversidades. E da Terra, organismo vivo.

É por aqui que podem e devem ser estimulados a ir os jovens de todo o mundo. Nunca, porém, com jornadas mundiais como a que acaba de ocorrer no Panamá e como a que já está a ser preparada para 2022 em Portugal, perdão, em Lisboa. Ou esta cidade não seja a capital, por isso, o centro nevrálgico mais especializado e refinado do Poder de corromper, mediocrizar, infantilizar as populações lá residentes e as do resto do país.

Dizem os clérigos portugueses de proa que as JMJ são, de todos os eventos, os que mais jovens do mundo congregam. Dizem-no com aquela pose de fingida humildade, mas a rebentar de orgulho. E também com aquele ar de superioridade com que sempre se nos apresentam. São tão extraterrestres, que desconhecem por completo a realidade. Ainda que uma significativa parte dela, a humana mais desprotegida, continue a enriquecer as IPSSs deles, bem como os seus Centros paroquiais e sociais, as suas Misericórdias, os seus Bancos Alimentares Contra a Fome e quejandos. Para sua vergonha, obviamente, já que a Caridadezinha mata tanto como o Dinheiro que a pariu.

Felizmente, os únicos jovens século XXI verdadeiramente capazes de mudar de raiz este nosso mundo e fazê-lo passar de cristão a Humano e de Humano a Sororal-Fraterno encontram-se entre aqueles muitos que já não correm como baratas tontas atrás do idolatrado papa de Roma, sucessor do imperador Constantino, nem dos seus clérigos de proa. A Luz que os guia e o Sopro que os faz andar caminhos ainda não andados é o da Fragilidade Humana e o das vítimas das alterações climáticas, da Injustiça sistémica e seus agentes históricos de turno. Papa de Roma incluído.

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