FRATERNIZAR – As mulheres e a igreja dos papas – EXCLUSÃO DELAS OU DELA? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Por mais que o papa se apresente mascarado de jovem, em mais uma jornada mundial de ilusionismo – como podem e devem ser classificadas as Jornadas Mundiais da Juventude, realizadas este ano entre 22 e 27 de Janeiro no Panamá, América Central – nem assim consegue calar os gritos dos milhares e milhares de vítimas da pedofilia dos clérigos e dos muitos milhões de vítimas dos sete pecados capitais que a igreja católica romana, reiteradamente tem cometido, desde o início. Entre os quais se destaca, como absurdo e obtuso, a exclusão das mulheres dos chamados ministérios ordenados. Uma exclusão que atinge mais a ela, Igreja católica romana, do que às mulheres baptizadas por ela. Uma prepotência, diga-se, a juntar a tantas outras que sistematicamente ela comete, não só contra elas, mas contra todos os seres humanos. Apesar disso, são ainda muitos milhões de mulheres e de homens que insistem em manter-se nela, quando, há muito tempo, deveriam tê-la abandonado. Com estrondo. Ou silenciosamente. Para, assim, sermos simplesmente humanos, como é timbre da nossa matriz original.

Por mais patriarcalismos que se inventem e imponham, sob múltiplos nomes, a verdade é que todos nascemos de mulher. E é graças a este nascer que integramos a Humanidade, constituída por mulheres e homens de todas as tendências e orientações sexuais, cores, línguas, tradições. Radicalmente iguais, nas diferenças que nos fazem-dizem, cada uma, cada um, únicos e irrepetíveis. Toda a nossa grandeza-e-responsabilidade reside neste denominador comum, o Humano. De maneira que tudo o que, com o passar dos séculos, é acrescentado a este denominador comum, só é uma mais valia, se nos faz ainda mais humanos entre os demais, capazes por isso de nos religar maieuticamente a todos e cada um dos outros como nós e até ao universo, de que somos a Consciência. De modo a crescermos harmoniosamente de dentro para fora até à estatura do Humano pleno e integral.

Sabemos bem que não é assim que, desde o início, se tem desenvolvido a história da humanidade. Muito pelo contrário. Quantos, a dada altura do seu desenvolvimento individual ou de grupo familiar ou étnico, se dão conta de que a maioria é cega, sem sequer disso ter consciência, logo têm corrido a fazer-se os seus guias. Fizessem-no na linha do serviço, da gratuitidade, da maiêutica e dos vasos comunicantes, e contribuiriam para o crescimento de dentro para fora de todos. Não é, porém, o que reza a história, por mais que ela nos fale em civilização. O facto de alguém encontrar caminhos e meios que o levam a adiantar-se aos demais, mas para logo os dominar e utilizar para fins e interesses exclusivamente seus e do seu grupo, não para fins e interesses do todo que é a Humanidade, não pode ser levado na conta de civilização. Tem de ser levado na conta de barbárie. Parece óbvio. Só não o é para a maioria dos que escrevem a História.

As mulheres que nos primórdios da Humanidade foram olhadas, e bem, como mais-valias, quer pela dádiva da maternidade, quer pela garantida fiabilidade genealógica, depressa se viram suplantadas pelos machos e sua força bruta. Nasceram então as religiões patriarcais dos Livros sagrados, entre os quais hoje se destacam a Bíblia judeo-cristã e o Alcorão. É desta fonte ideológica-teológica envenenada que bebem todas as religiões e igrejas cristãs, com destaque para a católica romana. Organizada em pirâmide, ao modo do império romano que a pariu e impôs a toda a ecumene de então, sempre relegou as mulheres de carne e osso para os trabalhos domésticos e afins, enquanto hipocritamente as promovia a deusas e rainhas, mas apenas nas imagens de tudo quanto é nossa senhora disto, nossa senhora daquilo. Um escarro para a Fé-Teologia de Jesus, o filho de Maria, e para as mulheres, a começar pela própria mãe dele. E um crime de lesa-humanidade que deve levar as mulheres (e os homens) a fugirem dela a sete pés.

www.jornalfraternizar.pt

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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