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PROTEJO – MOVIMENTO PELO TEJO – NOTA DE IMPRENSA – O proTEJO APELOU AO MINISTRO DO AMBIENTE QUE EVITE A PRETENSÃO DA MINISTRA DA AGRICULTURA DE DAR UMA ÚLTIMA MACHADADA NO RIO TEJO COM OS NOVOS AÇUDES E BARRAGENS DO PROJETO TEJO

 

O rio Tejo visto do castelo de Almourol

 

31 de Agosto de 2022

 

Em causa estão 5 mil milhões de euros, um terço da “bazuca” europeia, existindo alternativas muito mais sustentáveis para captar água do Tejo

 

O proTEJO – Movimento pelo Tejo apelou ao Ministro do Ambiente e da Ação  Climática, Duarte Cordeiro, no decorrer da reunião de hoje, que evite a pretensão da senhora Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, de dar uma última machadada no rio Tejo ao promover os novos açudes e barragens do projeto Tejo que irão ser construídos de Abrantes até Lisboa, fragmentando os últimos 127 km de rio livre de 20 em 20 km, considerando as soluções alternativas propostas por este movimento, tal como para os projetos do túnel a partir do rio Zêzere na barragem do Cabril para o rio Tejo na barragem de Belver e de uma nova barragem no Ocreza.

A construção destes novos açudes e barragens, bem como do túnel, com um enorme custo de 5 mil milhões de euros, 1/3 da bazuca europeia, prejudicará a biodiversidade e acentuará as alterações climáticas, não sendo necessária face à existência de soluções alternativas com menores impactos ecológicos e melhor custo-eficácia:

A troca de impressões desta reunião leva o proTEJO a considerar que ainda estamos a tempo de inverter o rumo anunciado e que o senhor Ministro do Ambiente e da Ação Climática poderá ajudar a preservar o que resta de um rio Tejo livre de modo a garantir a conservação dos habitats e da biodiversidade, bem como a viabilidade das atividades económicas regionais associadas ao turismo de natureza, cultural e rural, à pesca tradicional e à gastronomia.

Naquela reunião foram abordados os seguintes assuntos:

1º A implementação de caudais ecológicos nos planos de gestão da região hidrográfica do Tejo e na Convenção de Albufeira;

Posição do proTEJO: Implementação de caudais ecológicos contínuos, instantâneos e regulares, maiores no inverno e menores no verão, contemplando a sazonalidade das estações do ano, com mínimos que assegurem a conservação dos ecossistemas e os usos das populações (agrícola) e máximos que evitem esvaziamento súbitos das barragens para a produção de energia hidroelétrica e de modo a assegurar níveis de armazenamento que permitam fazer face a futuros anos de estiagem (seca).

Fundamentação:

A assinatura da Convenção de Albufeira subdeterminou os caudais do Tejo comparativamente aos do Douro

A volatilidade dos caudais recebidos de Espanha prejudica os ecossistemas e os usos da água, nomeadamente, os usos agrícolas

A consulta pública de sistema de bombagem na barragem de Alcântara – julho de 2020

O incumprimento da Diretiva Quadro da Água

A gestão das barragens de produção hidroelétrica com critérios meramente economicistas de maximização do lucro está a causar uma deterioração adicional do estado ecológico das massas de água do rio Tejo.

Por esse motivo impede que se alcancem os objetivos ambientais do Artigo 4(1) da DQA visto que não assegura um “regime hidrológico consistente com o alcance dos objetivos ambientais da DQA em massas de águas superficiais naturais” – documento de orientação nº 31 – Caudais ecológicos na implementação da Diretiva Quadro da Água.

Conclusão: É possível definir caudais ecológicos nos planos hidrológicos e na Convenção de Albufeira

2º Os projetos de construção de novas barragens e transvases no rio Ocreza e no rio Zêzere, bem como dos novos açudes e barragens do projeto Tejo;

Posição do proTEJO: As implementações destas infraestruturas hidráulicas que prejudicam a biodiversidade e acentuam as alterações climáticas não é necessária face à existência de alternativas que apresentam menores impactos ecológicos e melhor custo-eficácia, nomeadamente:

Fundamentação:

A irracionalidade económica

Os negativos impactos ecológicos

As perdas nas atividades económicas de natureza e tradicionais

Os mitos dos açudes e barragens do projeto Tejo

O incumprimento da Estratégia e das Diretivas Comunitárias

Partes interessadas

Conclusão: Existem soluções alternativas à construção de novos açudes e barragens que permitem a conservação da biodiversidade da bacia do Tejo e apresentam melhor custo eficácia.

 

3º A reformulação e atualização do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos / APA e a disponibilidade de disponibilidade de informação a ser prestada pela Comissão para a Aplicação e o Desenvolvimento da Convenção de Albufeira (CADC);

Posição do proTEJO:

O desenvolvimento de um sistema de informação único que integre as atuais redes de monitorização de quantidade e qualidade da água de Portugal e Espanha (SNIRH e SAIH).

A monitorização da quantidade e qualidade das massas de água nacionais, fronteiriças e transfronteiriças realizada por estações automáticas deveria disponibilizar, para utilização pública e em tempo real, os dados relativos aos seguintes indicadores:

  1. a) Quantidade de caudais (hm 3 e m3/s) / Cumprimento de caudais da Convenção de Albufeira;
  2. b) Qualidade das massas de água com recurso a indicadores do Estado Ecológico;
  3. c) Caudal sólido;
  4. d) Radiológico.

A disponibilização de um relatório anual do estado ecológico das massas de água transfronteiriças no âmbito da Convenção de Albufeira.

Fundamentação:

A desatualização da informação de qualidade e quantidade do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, bem como a inoperacionalidade de um número significativo de estações automáticas.

A falta de transparência e défice de incentivo à participação pública pela não divulgação dos caudais diários, semanais e trimestrais, online e em tempo real, na Ponte de Muge e na barragem de Cedillo para se aferir publicamente do cumprimento ou incumprimento da Convenção de Albufeira:

  1. a)Desde 2018 que a CADC deixou de publicar os Relatórios Hidrometeorológicos sobre o regime de caudais que permitem aferir do cumprimento quantitativo da Convenção de Albufeira;
  2. b)Apenas em julho de 2010 a CADC publicou um único relatório sobre a qualidade da água no âmbito da Convenção de Albufeira;
  3. c)O Ministério do Ambiente português está dependente da veracidade dos dados fornecidos pela Confederation Hidrografica del Tajo visto que o local de medição dos caudais para verificar o cumprimento da Convenção de Albufeira está localizado na barragem de Cedillo que pertence a Espanha e se encontra sob domínio da empresa concessionária, atualmente a Iberdrola;
  4. d)O SAIH Tajo apresenta o caudal registado, online e em tempo real, em várias estações de monitorização do Tejo espanhol, exceto na barragem de Cedillo onde se afere do cumprimento ou incumprimento da Convenção de Albufeira.

4º A poluição na bacia do Tejo, designadamente:

  1. a) A eutrofização e bloom de algas recorrente no rio Ocreza com origem na poluição da agricultura intensiva na albufeira de Santa Águeda / barragem da Marateca;
  2. b) A eutrofização e bloom de algas recorrente no rio Tejo vindo de Espanha por poluição da agricultura intensiva e de águas residuais urbanas sem o adequado tratamento;
  3. c) A contaminação microbiológica do estuário do Tejo, motivo pelo qual a apanha de bivalves se encontra interdita pelo IPMA, desde 9 de março de 2021, na zona do estuário do Tejo a montante da ponte Vasco da Gama que envolve toda a Reserva Natural do Estuário do Tejo;
  4. d) Poluição da ribeira da Boa Água e do rio Almonda pelo passivo ambiental da Fabrióleo, encerrada por ordem judicial.

Foram ainda solicitados os seguintes esclarecimentos:

1ª Qual a posição do Ministério quanto à implementação de caudais ecológicos nos planos de gestão da bacia hidrográfica do Tejo e a sua transposição para a convenção de Albufeira?

2ª Qual o objetivo e ponto de situação dos estudos dos projetos do túnel do Cabril e da barragem do Ocreza, cuja colocação a consulta pública foi anunciada pelo senhor Ministro do Ambiente para o final do próximo mês de setembro? A que entidade foi atribuída a elaboração do estudo destes projetos?

3ª Encontra-se prevista a elaboração de uma avaliação ambiental estratégica para os projetos do túnel do Cabril e da barragem do Ocreza? Quais as alternativas a estes projetos que estão a ser avaliadas?

4ª Qual a posição do Ministério quanto ao projeto de novos açudes e barragens do projeto Tejo, cuja consulta pública foi anunciada pela senhora Ministra da Agricultura para o próximo mês de outubro?

5ª A possível adoção dos projetos do túnel do Cabril, da barragem do Ocreza e do projeto Tejo irá suscitar uma revisão do plano de gestão da região hidrográfica do Tejo de 2022/2027?

6ª Encontra-se prevista a reformulação e atualização do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos, bem como a disponibilização de informação atualizada e atempada sobre o cumprimento da Convenção de Albufeira por parte da CADC?

7º Que medidas serão implementadas, de modo a alcançar as metas de bom estado ecológico das massas de água previstas pela DQA, ao nível da remoção de barreiras obsoletas e do restauro fluvial?

8ª Será realizada uma reavaliação do cumprimento do princípio de “não prejudicar significativamente o ambiente”, de acordo com o regulamento do PRR, à luz dos impactes ambientais previstos pelo Estudo de Impacte Ambiental do Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato?

O Tejo e a Vida merecem mais!

Bacia do Tejo, 31 de agosto de 2022

Os Porta-Vozes do proTEJO,

Ana Silva e Paulo Constantino

Publicada por ProTEJO – Movimento pelo TEJO à(s) 22:35


Leia esta Nota de Imprensa no original clicando em:

proTEJO – Movimento Pelo TEJO: O proTEJO APELOU AO MINISTRO DO AMBIENTE QUE EVITE A PRETENSÃO DA MINISTRA DA AGRICULTURA DE DAR UMA ÚLTIMA MACHADADA NO RIO TEJO COM OS NOVOS AÇUDES E BARRAGENS DO PROJETO TEJO (movimentoprotejo.blogspot.com)

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