Estou numa onda imparável, não consigo sair à rua sem comprar um electrodoméstico novo!
(Bem vêem, nem sempre surgem aplicações novas para meter nos smarts, nos trackpads, tablets, androids ou aliens).
Procuro dominar-me, juro – mas não é fácil.
Para me acalmar comprei há dias um interessante aparelho, um oxiúro, uma coisa óptima. Traz-se no bolso ou até no porta-chaves (melhor no porta-chaves, é mais vistoso, faz a diferença) e serve para vermos a percentagem de oxigénio existente no sangue, mediante um simples botão.
Não é óptimo? Até dá para fazermos apostas – por exemplo, qual a percentagem de oxigénio do teu sangue neste momento, a comparar com o meu? Cada um arrisca um número (95%, ou 89%, 92%) e depois vai-se conferir.
Ainda por cima, o oxiúro, tal como a maior parte dos aparelhómetros digitais sem os quais é impossível viver, tem mais aplicações. Por exemplo, quanto tens agora de frequência cardíaca?
Nada mais fácil. Vai-se a ver e lá está: 68, 74, 82, etc. Alguns oxiúros até trazem consigo um bloquinho de apontamentos, um pequeno laptop, para escrevermos antecipadamente a nossa hipótese e assim conferir depois quem acertou ou ficou mais próximo. Mas trata-se de um extra e são um nadinha mais caros, claro.
É evidente que se estivermos a jogar à distância (o mais provável, já que não temos onde estar senão em casa, ou em certos empregos mais braçais) há que usar em simultâneo um bom smartphone, para o outro poder conferir os resultados.
Estão a sorrir? Estão-se a rir, seus antiquados? Não sabem que há até entusiastas destas ditas frivolidades que têm uma espécie de relógio, o mais digital possível, que os informam dos passinhos que deram em determinada manhã ou tarde e ao longo de um determinado espaço de tempo?
Vão às redes sociais, informem-se mazé! Seus provincianos, seus velhos do Restelo! Aposto que nem micro-ondas têm, seus velhadas, seus ancestrais do caneco!
Ah, é verdade, um pormenor, antes que me esqueça.
Enganei-me: não é oxiúro que se diz, é oxímetro. Estava a confundir helmintas com ascaris lumbricoides.
Carlos
Fevereiro de 2021

