NATAL EM GAZA
Mais uns versos a martelo
Merecendo ser a cinzel
Na rude textura da pedra
Bordados na maciez da seda
Ou pintados no papel
Mas a arte não chega a tanto.
Natal dos meninos de Gaza
Sem lar, sem lareira
Sem eira nem beira
No amparo de uma palmeira
Que as bombas deixaram de pé.
Natal! Futuro!
Tudo em escombros
Sem esperança e sem fé.
Legitimados terroristas
Assassinos
Marginais
apoiados por monstros enlouquecidos
Que se dizem normais
Matam crianças a rodos
Entoando as Boas Festas
Glória a Deus nas alturas
Ao som de balas e canhões.
Digo tristemente mea culpa
Por nada poder fazer
De pés e mãos atados
Sem saber como lutar
Mas a nada vou ceder.
Nestes versos tão pobres
Cabe a rima da revolta
A cadência da luta
E a melodia da esperança
Numa vitória da justiça
Em que a paz há-de chegar.
Eva Cruz

