Como o físico Albert Einstein dizia, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Hoje vivemos, ainda, a tentar demonstrar que os preconceitos gerem o racismo. A palavra Racismo faz parte de um preconceito coletivo que não corresponde à realidade dos nossos tempos. Já lá iriam os tempos em que toda e qualquer repressão contra as pessoas diferentes era justificada pela ciência. Não haveria falta de exemplos para o demonstrar, mas situemo-nos na II Guerra Mundial, em Hitler e os seus apoiantes que queriam demonstrar que havia raças humanas inferiores e sem capacidades intelectuais e raças superiores como os Alemães, a Raça Ariana, a raça pura porque branca e de olhos azuis… os outros, por motivos religiosos, culturais, de homossexualidade, de organização social, de deficiências físicas ou intelectuais, meios de comunicação, com ligações a movimentos democráticos e livres, seriam para exterminar…! A construção de bairros sociais orientava-se numa política de afastamento das populações mais pobres, sem poder. Estas populações não eram integradas nem incluídas da sociedade dominante, eram segregadas ou excluídas pelos seus modos de vida, porque não podiam ter acesso a outros. Ir para a escola nem pensar, depressa começavam com processos disciplinares e insucesso escolar. Os adolescentes andavam em grupo quando saíam do bairro para mostrarem que tinham algum poder social, o da violência. A classe trabalhadora, os operários, estavam afastadas dos locais de trabalho e os transportes públicos, escassos, funcionavam como se só existissem para transportar quem trabalhava. Não era concedido o direito ao lazer porque não havia estruturas culturais ou espaços recreativos. Não havia locais de proteção da saúde para estes moradores. Neste contexto os bairros sociais tornaram-se um preconceito para os moradores da cidade que não os viam e, até se afastavam deles por falta de segurança. Começaram a ser conhecidos por alguma marginalidade de certos moradores que nas condições indignas das suas vidas vinham para a cidade roubar. Vinham vestidos com um informalidade que os denunciava como pobres, feios e maus. Eram marginalizados pela sociedade dominante com poder, conhecimento e boas condições de vida, e auto marginalizavam-se porque sabiam que não pertenciam à cidade para a qual migraram a partir das suas terras rurais. Mais tarde, com a descolonização, vieram muitos colonos viver, para onde? Nada tinham se não o pouco que tinham em África, foram para os bairros sociais aumentando o preconceito de que “aquela gente só vinha provocar distúrbios”. Muitos não tinham trabalho, e alguma população da cidade dizia para irem para a sua terra, que aqui só estavam a prejudicar quem trabalhava. Muito, mas muito haveria para contar sobre a formação destes bairros que se queriam longe, circunscritos aos seus espaços. Aqueles que “não cabiam nos bairros sociais” construíam barracas com telhados de zinco, sem água e sem eletricidade. Neste contexto social a imagem negativa do “bairro social”, encontra-se ainda nas perceções dos seus residentes e nas estratégias de ação social orientadas para aqueles territórios. Dada a dificuldade de valorização urbanística dos bairros sociais, e no atual contexto de implementação de intervenções urbanas pontuais e locais, a integração sócio espacial constitui um alerta para a necessidade de construção de estratégias de atuação, evidentemente integradas, que visem combater a fragmentação urbana e promover o direito à cidade na sua componente espacial, de lazer, de cultura, de trabalho, de habitação. Lisboa vive, neste momento, alimentada pelos preconceitos contra a diferença. Qual? Ter poder ou não ter poder, ter uma boa situação económica ou não a ter? Mas, no entanto, hoje fica patente na sociedade portuguesa que O Discurso de Ódio nada resolve se não aumentar os preconceitos e as revoltas. “A história da nossa civilização é, de certo modo, a história de uma tentativa persuasiva de oferecer os melhores de entre os nossos sentimentos morais a círculos cada vez mais largos da humanidade… Está bem de ver que estamos muito longe de atingir esse ideal”.