PORTUGAL É UM PAÍS RACISTA? por Luísa Lobão Moniz

 

Devido a alguns discursos e artigos saídos na comunicação social, a sociedade começou a reflectir sobre temas que estavam quase que invisíveis e inaudíveis – as diferenças sociais e “raciais”.

A palavra racismo surgiu entre as duas grandes Guerras adquirindo um maior significado depois do Holocausto.

O racismo tem diversas conotações e envolve o preconceito e os comportamentos discriminatórios.

Apesar da palavra racismo ser historicamente recente a verdade é que o racismo já existia há muito tempo. Nesse tempo a cor da pele não determinava categorias sociais, As categorias sociais teriam que ter uma base de sustentação, Aristóteles considerou a escravatura como suporte para essa sustentação.

No entanto, as teorias mais recentes (Wieviorka) consideram que o racismo se baseia nas relações de poder.

Ao longo da história, o racismo tem-se referido relativamente a vários grupos – ciganos, judeus, negros, … – nos seus interesses – exploração de mão-de-obra, preservação da pureza da raça, preservação da identidade nacional; nas crenças que o legitimam – irredutível inferioridade intelectual ou moral, perigosidade, incompatibilidade de culturas…e, nos modos de actuação: exterminação, perseguição, expulsão, segregação, ou exclusão simbólica. É por isso extremamente difícil delimitar o conceito, sem cair em demasiadas restrições e sem o alargar demasiado.

Portugal será um país racista? Como muitos fazedores de opinião nos jornais e na televisão querem fazer crer.

A questão do reconhecimento do Outro, com características culturais diferentes do grupo maioritário, tem sido difícil, apesar de haver muitas pessoas de diferentes etnias em Portugal, que são reconhecidas publicamente, mas nos lugares de poder são invisíveis.

 Só na segunda metade do século XX, depois do genocídio de milhões de judeus e de ciganos, em nome da ‘pureza racial’, é que este sistema de crenças viria a ser rigorosamente desmontado. O que não significou que o racismo tivesse acabado nas sociedades.

 O racismo adaptou-se às novas realidades e diversificou-se, o que levou alguns autores a falar de ‘racismos’ e não de ‘racismo’ devido à multiplicidade de manifestações.

Surgiu entretanto a necessidade de criar mais um conceito que estabelecesse a diferença entre aqueles cuja cor da pele era o que determinava o racismo e a cultura que era determinante para o conceito de etnia – o etnocentrismo -.

O reconhecimento do Outro como extensão do Eu é algo de difícil concretização quando o Outro pode representar uma ameaça em termos de trabalho.

Portugal tem vindo a baixar o desemprego devido a opções políticas baseadas no reconhecimento do Direito ao Trabalho.

A questão do racismo, da etnicidade, da igualdade de oportunidades são questões de prioridades políticas.

É preciso que todas estas, e outras questões, saiam da invisibilidade e que se manifestem de forma saudável como um contributo para uma melhor Democracia.

One comment

  1. Carlos Leça da Veiga

    Tanto saber não deve excluir falar da verdade cientifica que, como auxilio, nada é mais poderoso Desde 1953, que o estudo definitivo do ADN da Humanidade, excluiu – e por completo – que na espécie Humana haja raças, isto é, não há sub-espécies. CLV

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: