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Soares Novais deixou-nos. Mas a sua palavra e a sua luta continuam connosco.

O nosso colega argonauta Soares Novais partiu. Nascido no Porto em 1954, foi autor, editor, jornalista. Tem prosa espalhada por jornais, livros e revistas. Assinou e deu voz a crónicas de rádio. Foi dirigente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) e da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP). Publicou o romance “Português Suave” e o livro de crónicas “O Terceiro Anel Já Não Chora Por Chalana”. É um dos autores portugueses com obra publicada na colecção “Livro na Rua”, que é editada pela Editora Thesaurus, de Brasília. Tem textos publicados no Resistir.info e em diversos sítios da América Latina e do País Basco.

Como alguém disse, passou por nós mas não ia só, não nos deixa sós. Deixou um pouco de si, levou um pouco de nós.

Ainda há pouco levantou a sua voz contra o genocídio executado por Israel sobre Gaza, texto que a seguir reproduzimos:

 

“Cerquem o ‘bunker’ de Netanyahu”

 

O Papa Francisco e Edith Bruck na Casa Santa Marta. (vaticannews.va)

A escritora e poeta judia Edith Bruck não tem dúvidas: “Netanyahu está a provocar um tsunami de anti-semitismo, porque todos identificam judeus com o governo israelita. Mas a maioria dos judeus e israelitas não concorda com o governo de Netanyahu.”

Edith Bruck tem 94 anos e é uma sobrevivente do Holocausto. Nasceu em Budapeste, na Hungria, a 3 de Maio de 1931. A sua família era numerosa e pobre.  Aos 13 anos, os nazis levaram-na para o gueto de Budapeste. Seguiram-se Auschwitz, Dachau e Bergen-Belsen.

Campo de extermínio de Auschwitz. (vaticannews.va)

A escritora sobreviveu aos campos de concentração. Peregrinou pelo Mundo e acabou por radicar-se em Itália, cujo idioma adoptou. É uma intelectual respeitada. Como testemunha, a sua recente entrevista ao  l’Unità (em 26  de Abril de 2024), intitulada “Eu estava nua, cuspiam em mim e riam.Não os odeio”.

Agora, em declarações ao National Daily, da Nigéria, afirma de forma clara: “O que está a acontecer em Gaza é muito, muito doloroso para mim, e acredito que é o mesmo para todos.” Todavia, Edith Bruck afirma ser necessário que “os israelitas protestem mais”. “Não só ao sábado, mas todos os dias, dia e noite. Cercando Netanyahu e o bunker da esposa. Este é o momento para a rebelião”, observa, adiantando: “É tempo de criar um Estado Palestiniano, tudo mudaria.”

Espero para ver se o assassino tem o descaramento de acusar Edith Bruck de antissemitismo.

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29/05/2025

 

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