CARTA DE VENEZA – O regresso a Veneza de Antonio Beato por Vanessa Castagna
clara castilho
O Museu Fortuny sedia até 12 de janeiro de 2026 uma exposição fotográfica intitulada Antonio Beato. Ritorno a Venezia (Antonio Beato. Regresso a Veneza), sob a curadoria do português João Rocha juntamente com Marco Ferrari e a colaboração de Cristina Da Roit. Trata-se de uma homenagem ao fotógrafo Antonio Beato (Veneza, 1832 – Luxor, 1905), resultado de uma colaboração internacional.
Depois de embarcar em aventuras fotográficas com o irmão mais velho – e mais conhecido – Felice, documentando conflitos como a Guerra da Crimeia e a Rebelião Indiana, na década de 1860 Antonio Beato estabeleceu-se no Egito, nomeadamente primeiro no Cairo e depois, de forma definitiva, em Luxor. A partir daí, trabalhou como um dos principais fotógrafos da região, acompanhando o fluxo de ricos viajantes europeus que percorriam o rio Nilo.
As suas obras caracterizam-se por conjugarem uma extraordinária sensibilidade artística com uma notável precisão documental, de que são exemplo as fotografias de grande formato dos templos e dos sítios arqueológicos de Abu Simbel e Karnak, ou a Esfinge, em que se destacam tanto a majestosa arquitetura antiga como a misteriosa vastidão da paisagem. Do ponto de vista técnico, salienta-se o toque cromático das impressões aguareladas, capaz de esbater o limite que separa a fotografia da pintura.
A exposição fotográfica dialoga de forma peculiar com o legado de Mariano Fortuny, em cuja casa-museu a mostra tem lugar: por um lado, observa-se uma visão do Oriente arqueológico, documentado pela fotografia; por outro, o Oriente sonhado e reinterpretado através da arte têxtil. No começo do século XX, Mariano Fortuny visitou os mesmos lugares retratados por Antonio Beato, desenhou-os e também os fotografou e anotou em cadernos que ainda se conservam na sua biblioteca particular e que, pela primeira vez, se expõem nesta ocasião.