CARTA DE VENEZA – QUEM PRECISA DE REGRAS? – por Vanessa Castagna

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É destes dias a notícia de que a ilha tailandesa de Koh Tachai, com uma capacidade natural para cerca de 70 pessoas mas diariamente invadida por mais de 1.000, vai fechar portas ao turismo de massas que está a ameaçar a sua sobrevivência. Não falta em Veneza quem gostaria que aqui acontecesse algo parecido: talvez não fechar a cidade ao turismo, mas regulamentá-lo e controlar os seus fluxos.

Na falta de medidas eficazes nesse sentido – embora não tenham faltado, de facto, propostas concretas para fomentar um turismo proporcional à capacidade recetora da cidade – têm surgido várias iniciativas concebidas para educar os turistas do novo milénio, que foram substituindo os mais avisados viajantes de outros tempos.

Uma primeira iniciativa, que já data de 2010, veio da própria municipalidade, com o intuito de sensibilizar moradores e turistas sobre os comportamentos oportunos a ter numa cidade tão frágil. O projeto compunha-se de dez posters e flyers em sete línguas (italiano, inglês, francês, alemão, espanhol, japonês e russo) onde o leão Leo explicava como respeitar Veneza. Alguns dos tópicos ilustrados são aparentemente óbvios e aplicáveis a qualquer lugar civilizado: não abandonar lixo na rua, não fazer piqueniques, usar roupa decente, não sujar ou afixar cartazes sem autorização, respeitar os outros passageiros nos meios de transporte coletivo (tirando a mochila, colocando a bagagem no local próprio etc.), evitar comprar mercadoria de vendedores ilegais, respeitar o descanso dos outros em particular não fazendo barulho depois das 23h00.

Há, porém, duas indicações menos intuitivas que vale a pena destacar: em geral não é permitido dar de comer aos pombos, porque constituem uma ameaça à saúde pública e à integridade estética dos monumentos; para não parar o trânsito (ainda que pedestre), é oportuno andar pelas calli ou percorrer os passadiços disponíveis no caso de “água alta” mantendo-se rigorosamente à direita (exatamente como na circulação rodoviária) e não parar nas pontes.

Mais recentemente, a plataforma cívica local Gruppo 25 aprile sentiu a necessidade de propor uma versão atualizada das regras básicas para conviver numa cidade tão especial como esta, contando com um visual gráfico extremamente elegante ao estilo Belle Époque, da autoria de Alessandro Toso Fei. As indicações fornecidas refletem, infelizmente, os inúmeros episódios de falta de civismo por parte de turistas nos últimos meses e assim se resumem: 1) Veneza é uma cidade pedestre, por isso só se anda a pé ou de transporte público; 2) Veneza é um museu a céu aberto, não se fazem piqueniques na rua ou sentados nas pontes, onde se impediria a circulação; 3) o centro histórico de Veneza e os seus canais não são praia; 4) declarar eterno amor deixando um cadeado no parapeito de uma ponte ou frases nos muros não é romântico: é crime; 5) lixo, beatas e pastilhas elásticas não devem ser deitados no chão ou na água, mas no caixote mais próximo; 6) visitar Veneza pode ser uma experiência única e inesquecível, mas convém informar-se sobre a cidade e entrar em sintonia com ela para que assim seja.

Quem gostar do poster, pode mesmo fazer o download da versão em italiano ou inglês (http://www.etra-comunicazione.it/portfolio/the-venetian-infographics/visitare-venezia-visit-venice.html) e ir preparando-se para a próxima viagem a Veneza: como diz o título do cartaz, apesar de tudo será bem-vindo.

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