CARTA DE VENEZA – O regresso de Man Ray por Vanessa Castagna
clara castilho
A Bienal de Veneza celebra o génio de Emmanuel Radnitzky (1890-1976), mais conhecido como Man Ray, com a exposição L’immagine ritrovata (A imagem reencontrada), que repropõe na sede de Ca’ Giustinian, após cinquenta anos, 160 fotografias a preto e branco. Trata-se das fotos expostas na Ilha de San Giorgio Maggiore por ocasião da Bienal de Arte de 1976, dirigida por Vittorio Gregotti. O artista na altura doou as imagens ao Arquivo da Bienal, que acaba de lançar esta homenagem ao artista norte-americano de origem russo-judia.
Antes de se tornar o ícone que conhecemos, Man Ray, na altura jovem artista de Brooklyn, decidiu reinventar-se completamente, adotando o seu pseudónimo em 1912. A sua vida foi uma ponte contínua entre continentes e correntes, passando de Nova Iorque e do dadaísmo a Paris e à revolução surrealista, tendo-se mudado em 1921 para a capital francesa, onde se destacou como fotógrafo de grandes escritores como Joyce e Cocteau e inventor das rayografias. Fugindo da ocupação nazi no início da Segunda Guerra Mundial, refugiou-se em Los Angeles, para depois regressar à sua amada Paris, onde continuou a desafiar as fronteiras entre pintura, cinema e fotografia até ao fim dos seus dias.
A exposição recém-inaugurada repete na íntegra a famosa exposição de 1976, com curadoria de Janus; contudo não é uma mera retrospetiva, mas antes uma investigação sobre a fotografia como ato conceitual e manipulação criativa. O percurso fotográfico, com efeito, é enriquecido por materiais de arquivo inéditos, por documentos de trabalho e pela reprodução atualizada do catálogo histórico de 1977.