CARTAS DE VENEZA – ARQUITETURAS EM VENEZA – por Vanessa Castagna

carta de veneza

A cidade entrou num dos períodos mais fervilhantes do ano, com a inauguração da Bienal de Arquitetura, a decorrer entre 28 de maio e 27 de novembro. Nesta sua 15ª edição, intitulada Reporting from the Front, a Mostra apresenta 88 participantes de 37 países que expõem principalmente nos Giardini e Arsenale, para além de 62 participações nacionais e um número selecionado de Eventos colaterais.

Como a imprensa nacional não deixou de divulgar de forma extensa e bem documentada, Portugal marca uma presença bastante original, ao transformar um “estaleiro” em pavilhão, com direito a capacete para os visitantes. Ao contrário dos anos passados, a exposição portuguesa realiza-se na ilha da Giudecca, no âmago de um complexo habitacional ainda por finalizar, configurando-se assim como um verdadeiro work in progress.

A ativação do pavilhão português neste espaço, aliás, está associada à possibilidade de dar um impulso decisivo à retomada das obras para a disponibilização destas habitações sociais, que tanto fazem falta à comunidade. De resto, a importância e a dignidade que Álvaro Siza resgatou para projetos de arquitetura social em várias cidades europeias bem se insere na perspetiva engajada que marca esta edição da Bienal, que pretende reaproximar a arquitetura da sociedade civil.

O título da exposição portuguesa, NEIGHBOURHOOD: Where Alvaro meets Aldo, faz referência em particular ao encontro entre Álvaro Siza e o arquiteto e teórico da arquitetura Aldo Rossi, que convidou Siza a participar na Bienal de Arte e Arquitetura de 1976. O encontro revelar-se-ia extremamente fértil quer para a obra do próprio Siza, quer para a relação entre a arquitetura italiana e a portuguesa, em especial a que se mantém entre o Instituto Universitário de Arquitetura de Veneza e a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Uma relação intensa que tem fomentado, ao longo das décadas, várias exposições dedicadas a arquitetos portugueses na cidade lagunar, em qualquer altura do ano.

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