AS SÍLABAS MARGINAIS/que pensar do tempo que atropela os rostos/por NELSON FERRAZ



que pensar do tempo que atropela os rostos
constrói diques e lama nas ruas dos olhos
e remenda as costas das mãos?
e da brisa sobre os ombros
suave e insegura
que traça uma celebração de perguntas
ao acaso da passagem das sombras?
dizer que hoje é já tarde
mas tarde será sempre um hoje
nas madrugadas de todas as árvores.
que pensar deste tempo que é redondo?
que pensar deste tempo que sempre foi redondo?
dentro dele somos mil verbos
situados na berma de uma saída que não há.
