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Espuma dos dias — Netanyahu avisou. No dia seguinte aconteceu. O resto parece um filme

Nota prévia

Dois curtos e  interessantes textos sobre o episódio do avião da Flydubai que teve de aterrar de emergência na Arábia Saudita.

FT

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Netanyahu avisou. No dia seguinte aconteceu. O resto parece um filme

Por  em 1 de Outubro de 2026 (ver aqui)

 

 

A sequência do que aconteceu no voo FZ1073 da flydubai é tão improvável que é difícil saber por onde começar. O copiloto terá esfaqueado gravemente o comandante indiano Smit Machchhar e o Boeing entrou em mergulho. Mesmo ferido, Machchhar ainda conseguiu desbloquear a porta blindada do cockpit antes de colapsar.

É nessa altura que aparece Yaniv Hayun, um israelita de 50 anos que trabalha no sector do saneamento. O Boeing estava em queda acentuada e, em menos de 30 segundos, perdeu quase 14 mil pés, cerca de 4,3 quilómetros de altitude. Segundo o próprio, Hayun correu para o cockpit durante a descida, agarrou o agressor, aplicou-lhe uma chave ao pescoço e, com a ajuda de outros passageiros, conseguiu afastá-lo dos comandos. Depois voltou ao cockpit, encontrou o Boeing sem ninguém a pilotá-lo, puxou os comandos e ajudou a recuperar o avião. Experiência de aviação? Nenhuma. Disse que sabia o que fazer porque costumava ver Mayday: Desastres Aéreos.

A história já seria extraordinária por aqui. Só que ainda estava longe de acabar. Entre os passageiros encontrava-se também Shota Musaev, um profissional de saúde israelita. Segundo o próprio, correu para o cockpit ao ouvir os gritos, ajudou a dominar e a amarrar o copiloto com cabos de auscultadores e abraçadeiras de plástico. Depois prestou assistência ao comandante gravemente ferido. E, por uma coincidência particularmente útil, viajavam no mesmo avião pilotos da própria flydubai fora de serviço. Assumiram os comandos e acabaram por aterrar o Boeing em segurança na Arábia Saudita.

Faltava apenas Netanyahu. E, por incrível que pareça, também há Netanyahu nesta história. Na véspera, o primeiro-ministro israelita tinha divulgado um vídeo a dizer que havia “indicações” de que os inimigos de Israel tentariam atacar antes das eleições. Não disse quem, onde ou como. E fontes de segurança israelitas citadas pela imprensa afirmaram não ter conhecimento de qualquer ameaça concreta que justificasse aquele aviso.

Um comandante esfaqueado que ainda consegue abrir a porta blindada do cockpit. Um passageiro sem qualquer experiência de aviação que domina o agressor e ajuda a recuperar um Boeing em mergulho porque via Mayday: Desastres Aéreos. Um profissional de saúde entre os passageiros para assistir o comandante. Pilotos da própria companhia, fora de serviço, por acaso também naquele voo, para assumirem os comandos e fazerem a aterragem.

E, na véspera, Netanyahu aparece a anunciar que havia indicações de que os inimigos de Israel se preparavam para atacar.

Tudo isto no mesmo voo. Há histórias difíceis de acreditar. Esta teve o cuidado de incluir tudo.

 

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Israel pode pagar para tratar o mundo inteiro como idiotas.

Original de  Giuseppe Salamone

Em 1 de Outubro de 2026 aqui

 

Basicamente, Israel pode pagar para tratar o mundo inteiro como idiotas.

Estou a referir-me ao que aconteceu com o voo Flydubai. Primeiro, começaram com uma briga entre dois pilotos, um russo e o outro ucraniano. Depois, uma nova versão: o piloto russo e o piloto ucraniano estavam de serviço, mas estavam a viajar como passageiros e foram eles que aterraram o avião.

Enquanto isso, a embaixada indiana diz que o piloto é indiano e o seu nome é Smit Machchhar. Para chegar ao piloto, o suposto atacante. Agora eles devem explicar como este piloto chegou a bordo, já que o Ministro dos Transportes israelita, Miri Regev, disse que o acordo entre Flydubai e Israel oferece que os pilotos de voos israelitas são cidadãos de países com relações diplomáticas com Israel. O Omã não tem relações com Israel.

Uma pergunta sobre a faca no cockpit: os pilotos são submetidos a controles muito rigorosos. Como foi ali parar uma faca, especialmente num voo para Israel, uma das nações com as medidas de segurança mais rigorosas do mundo, permanece-se um segredo. Curioso, certo?

Mas então ele chega, o herói, Yaniv Hayun, obviamente um cidadão israelita, que diz a Netanyahu que foi ele quem aterrou o avião graças a uma série de TV a que ele assistiu, onde aprendeu a pilotar um avião. O que é uma porcaria, certo?

E quanto aos pilotos russos e ucranianos que acabaram assim? Não foram eles os que fizeram o avião aterrar? Mas, claro, eles são tão ignorantes que: numa aeronave de emergência, há dois pilotos, mas o controle é dado a um que já viu uma série de TV, a que assistiu, e que foi o que aterrou o avião. As imagens da reunião foram divulgadas imediatamente pelo governo israelita. E o chapéu de Hollywood. Mas chapéu de verdade!

Para resumir: no momento, não há nome do agressor, o motivo, a história da faca, a entrada do piloto do Omã, mas Israel diz ao mundo inteiro que foi um ataque terrorista como o de 11 de setembro. Portanto, tudo o que os vendedores de notícias estão a relatar, sem fazer nenhuma crítica ou pergunta sobre as contradições, é a narrativa de um Estado que está em guerra por genocídio e um primeiro-ministro que é procurado internacionalmente pelo Tribunal Internacional de Justiça por crimes de guerra. Tudo isso enquanto estão em campanha eleitoral…

É só isso, senhorias.

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