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Leão, que tenho dentro, por Fernando Correia da Silva

 

 


 

 

 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Retirantes da zona temperada,

 

            procurámos um sol mais africano

 

            que desse, em cada tarde, perfumada,

 

            a safra que é normal em cada ano.

 

            Preciso viajar o corpo teu,

 

            dobrar-te em curvaturas de felino,

 

            alumiar o anjo que mordeu

 

            o nosso corpo a corpo em desatino.

 

            Leão, que tenho dentro, sai da jaula,

 

            e a pata vai pousar em teu regaço.

 

            Selvagem o amor em que te faço

 

            aluna a revidar a minha aula.

 

            Desnudas as lições que assim consomem

 

            corpos opostos de mulher e homem.

    

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