CURVATURAS – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 

 

  Deitados na praia, diz a rapariga:

         – Eu sabia que eras poeta. Por isso me apetecia fazer amor contigo…

         Ele sorri e responde:

 

– Retirantes da zona temperada,

procurámos um sol mais africano
que desse, em cada tarde, perfumada,
a safra que é normal em cada ano.
Preciso viajar o corpo teu,
dobrar-te em curvaturas de felino,
alumiar o anjo que mordeu
o nosso corpo a corpo em desatino.
Leão, que tenho dentro, sai da jaula,
e a pata vai pousar em teu regaço.
Selvagem o amor em que te faço
aluna a revidar a minha aula.
Desnudas as lições que assim consomem
corpos opostos de mulher e homem.

         Ela murmura:

 – Lindo, lindo… 

            Por entre gemidos ele ainda consegue rimar pulso com impulso e verso com reverso.

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