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O DESENHO DE CASAS FEITO POR CRIANÇAS – por Clara Castilho

 

Um dos primeiros desenhos que a criança começa a fazer (depois da representação da figura humana) é o da casa. A criança ao desenhar projecta um desejo, faz uma tentativa de possuir o objecto desenhado, dele obtendo, pelo menos uma imagem, indo de um “ realismo intelectual” para um “realismo visual” (Luquet), de um pensamento mais egocêntrico para a representação do mundo mais objectivo, em que se apodera do que é socialmente convencional.

 

No momento em que desenha, a criança entrega-se completamente e expressa algo de si mesma, algo que pode ser partilhado e apreendido pelos outros. E, ao expressar-se deste modo, cria um objecto que vai sendo a sua história.

 

Pelo seu desenho a criança funciona como um mágico, como o ser mais primitivo e exterioriza os sentimentos interiores para os viver um dia mais tarde – na realidade ela “faz-se nascer” pela imagem e liberta-se das suas angústias.

 

As formas desenhadas começam por ser a projecção do corpo próprio ou de algo com que a criança se relaciona muito proximamente – o corpo dos que lhe estão mais próximos, a casa, o barco, etc. Os desenhos de casas que a criança repete exaustivamente, vão das primeiras garatujas à casa quadrada e telhado triangular, e depois aos prédios de vários andares. Pela sua análise podemos ver que a casa representa para elas o símbolo da segurança ligada à família.

 

Podemos ver aparecer as janelas e portas, a chaminé, com fumo ou não, a estruturação no espaço envolvente, com elementos da natureza ou ruas inseridas num bairro, aumentando a representação do espaço tridimensional. Nas situações de divórcio, em que a criança passa a habitar duas casas, é muito frequente a elaboração de desenhos com duplas casas.

 

 


 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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