A situação na ilha da Madeira vai absorver as atenções nos tempos mais próximos. Muita gente está estupefacta. Mas para alguns observadores mais atentos, não é muito surpreendente. Sabe-se há muito que o Governo Regional da Madeira gasta muito e mal, que se tem mantido acumulando dívidas e pressionando o Governo Central para se financiar. As periódicas insinuações sobre uma eventual declaração de independência têm sido intercaladas com declarações de fidelidade à pátria, a unidade interna tem sido mantida com cuidado, os adversários de Alberto João Jardim superados, e assim desembocámos na situação actual. Mas a crise actual veio obrigar a pôr claro o que não se tem querido encarar.
A situação da Madeira é muito grave. Alguém disse: o maior risco não é a Madeira fartar-se do Continente, é sim o Continente fartar-se da Madeira. Em 9 de Outubro, daqui a três semanas, vão realizar-se eleições regionais. O cenário mais provável é Jardim sair delas com uma vitória reforçada. Mas, mesmo que isso não aconteça, os problemas continuarão muito complicados. Portugal terá de pagar as dívidas do Governo Regional. O melhor a que pode aspirar é que este, qualquer que seja, no futuro siga políticas mais equilibradas. Ajudaria sem dúvida que Jardim perdesse as eleições.
No país existem outras situações muito graves. Há vários candidatos a Alberto João Jardim, mas nenhum se lhe pode comparar, nem política nem economicamente. O exemplo da Madeira vai servir para travar a regionalização, e diminuir a autonomia das autarquias. Noutro campo, o problema dos transportes públicos será mais pesado financeiramente, e a vacilante economia portuguesa tremerá ainda mais com as precipitadas privatizações que se preparam. No sector bancário são do conhecimento geral os pesados encargos que tiveram de ser pagos pelos contribuintes, e não há garantias de que não ocorram mais problemas como o do BPN.
Mas a Madeira é o símbolo da fraqueza e da incompetência dos sucessivos governos nacionais. A imposição da transparência no cumprimento dos orçamentos, no contraimento de dívidas, nos concursos, nas finanças em geral, são regras que têm sido desleixadas. O combate à corrupção é praticamente inexistente. Na Madeira e no resto do país.

