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Diário de bordo de 21-09-2011


A «questão da Madeira» assume por estes dias aos olhos dos portugueses uma dimensão que nunca tivera antes. A verdadeira dimensão de um caso grave a que nunca se deu a devida importância. Já a ela nos referimos num anterior editorial. Circula agora pela net uma lista onde se dá conta dos cargos ocupados por familiares e amigos do presidente do Governo Regional. A ser verdade, é um exemplo do mais desbragado nepotismo. Explicaria também por que motivo está Alberto João Jardim tão agarrado ao poder.

 

Jardim é uma personagem medíocre – uma espécie de Quim Barreiros da política – boçal e primário. Nada estúpido, porém. Melhor do que outros, de discurso e pose mais sofisticados, compreendeu o funcionamento da «democracia». O não ser levado a sério, serve-lhe como justificação para dislates e grosserias e, a ser verdadeira a tal lista, para um descarado e desonesto aproveitamento pessoal. Com a arrogância e descaramento, insulta quem se lhe atravesse no caminho – seja o presidente da República ou quem for. Quem se mete com o Jardim, leva! No entanto, os insultados, de Jorge Sampaio a Cavaco Silva, todos se apressam a cumprimentá-lo se vão à «sua» ilha. Se o ogre está bem disposto, recebe-os. Jaime Gama comparou-o a Bokassa, mas passados tempos (como presidente da AR) fez-lhe um elogio rasgado. Ou seja, os dois partidos do Poder têm sido cúmplices na protecção a um ser inqualificável – envergonha a classe política (se ela tivesse vergonha) e envergonha a espécie humana.

 

Agora, o Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal, descobrem que manipulou números, pode falar-se de burla envolvendo mais de mil e cem milhões de euros! A anedota transformou-se em drama. Desde há três anos que as contas da Madeira são falseadas e os «cubanos» vão ter de pagar muito caro o bilhete de circo. Havendo sempre um fantasma a pairar – o buraco agora descoberto pode ser apenas o topo do icebergue e virem aí mais buracos, financeiros e morais…

Conheço a Madeira e acho que nada do que se tem feito – estradas, túneis, é demais. A solidariedade nacional obriga a que zelemos todos pelo bem-estar de todos. O que preocupa não é o que se fez. A questão é – quantas fortunas terão nascido à sombra do que se fez?

 

Isso, sim, é preocupante.

 

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