(Continuação)
Absurdo nosso? Provocação nossa? Vejamos então.
Dizem-nos estes industriais suiços :
O valor elevado do franco, um problema para toda a economia. Os resultados deste curto inquérito mostram que o problema não se põe de maneira generalizada em todos os ramos, nem que este se limita à indústria de exportação. (…) A força do franco prejudica tão cada vez mais enormes zonas da economia interna. A concorrência estrangeira faz-se fortemente sentir no mercado suíço em numerosos ramos. (…). O alto valor do franco não põe somente em dificuldade as empresas exportadoras. Tornou-se um problema para toda a economia .
Que fazer, pergunta-se. Eis as respostas :
Como reagem as empresas a este grande desafio ? Os gráficos 4 e 5 apresentam as medidas encaradas nos ramos exportadores e nos ramos focalizados para o mercado interno. As empresas tentam em primeiro lugar reduzir os custos e aumentar a produtividade.
As reacções nos ramos exportadores e nos ramos centrados no mercado interno são quanto a isto muito semelhantes. Nos ramos exportadores sobretudo, as empresas querem adquirir mais parcelas do processo produtivo no estrangeiro, ou seja, querem que uma maior parte do processo produtivo seja em produtos semi-acabados no estrangeiro. Entre 10% a 20% das empresas pensam transferir a produção no estrangeiro. O aumento do tempo de trabalho e as baixas de salários são frequentemente evocados.
Veja-se um dos gráficos exemplificativos das respostas dos industriais suiços :
Simplesmente reduzir os custos, seja pela redução de salários, seja pelo aumento de produtividade a salário constante, seja pela deslocalização relativa ou absoluta para o estrangeiro, em suma e mais uma vez, onde menos se espera, pretende-se que sejam os trabalhadores a pagar a crise, ou seja, neste caso a pagarem os efeitos prejudiciais da especulação à alta do franco suiço, à descida do euro. O neoliberalismo é assim mas a ser assim francamente estamos num universo de doidos, com o grave problema de que por este universo de doidos passa por ele também a economia, passa por ele o destino de milhões de pessoas, de todos aqueles que trabalham, de todos aqueles que mais cedo ou mais tarde, quando crescerem, irão trabalhar. De que mais poderemos todos nós, trabalhadores, ser acusados?
Texto dos Industriais da Suiça
O elevado valor do franco pesa sobre toda a economia .
A apreciação da situação actual
As estatísticas mostram os primeiros sinais de redução dos ritmos de actividade.
O vigor actual do franco coloca a economia da Suiça perante desafios gigantescos. As suas repercussões sobre o nosso país serão consideráveis. São numerosas as empresas que assumem nestes dias importantes decisões quanto às medidas a tomar em reacção à rápida subida do franco. As estatísticas das últimas semanas e dos últimos meses não deixavam ainda apenas perceber os sinais de redução dos ritmos de crescimento económico. As exportações continuavam a aumentar, ainda que os exportadores ganhem muito menos sobre cada euro de produtos vendidos e que as suas margens estejam postas duramente sob pressão.
Os sinais de um próxima situação de bloqueio conjuntural são doravante visíveis: pela primeira vez desde a crise financeira, os cadernos de encomendas na indústria estão sensivelmente desguarnecidos .
O barómetro conjuntural do Centro de investigações sobe a conjuntura de EPFZ (KOF) indica ele também que o crescimento económico reduzir-se-á durante os próximos meses. Como se vê no gráfico 2, este indicador conjuntural importante situa-se ainda largamente acima do valor zero, sinal de que o crescimento prossegue . Em comparação com o mês precedente, no entanto, a curva está em nítido retrocesso . Para além da esperada redução do ritmo de crescimento do crescimento da economia mundial, o elevado valor do franco deve, disso que não hajam dúvidas, é um outro factor que pesa fortemente sobre o dinamismo conjuntural da Suíça.
Efeitos concretos do franco forte sobre a economia
As consequências do franco forte são difíceis de estimar, porque variam de acordo com os ramos e de acordo com as empresas. Para se fazer uma ideia da situação económica actual da economia suiça fez-se um curto inquérito junto dos seus membros entre os dias 11 e 17 de Agosto de 2011, tendo como objectivo estimar a amplitude das dificuldades nas empresas e saber que medidas elas encaram para as superar. Durante o curto período de realização do inquérito, o euro trocava-se contra o franco suiço entre 1,08 e 1,15 francos por euro . Devido à curta duração do periodo considerado, muitas das organizações de ramo não puderam proceder a uma estimativa sumária e momentânea e devem por conseguinte ser interpretadas com prudência.
O gráfico 3 apresenta os efeitos esperados da forte subida do franco sobre os ramos exportadores e sobre os ramos que estão voltados para o mercado interno. Em cada ramo que conta empresas exportadoras e empresas importadoras, a distinção não é absoluta e serve sobretudo para efeitos de ilustração. O gráfico revela que os efeitos do franco forte sobre os ramos centrados no mercado interno são menos perceptíveis do que nos ramos exportadores (máquinas, relojoaria, química, farmácia, hotelaria). Apesar disso, o elevado valor do franco suiço ameaça também a existência de empresas do mercado interno[1].
Contrariamente, se as empresas activas nos ramos orientados para o mercado interno declaram mais frequentemente que os efeitos do franco forte são neutros ou positivos, encontram-se também empresas exportadoras que sofrem pouco com o franco forte. Estes resultados indicam que o problema não é específico a certos ramos, mas que se manifesta em graus variáveis todos os ramos:
Source: economiesuisse
O valor elevado do franco, um problema para toda a economia. Os resultados deste curto inquérito mostram que o problema não se põe de maneira generalizada em todos os ramos, nem que este se limita à indústria de exportação. Esta confirmação não tem por principal explicação as dificuldades de delimitação estatística. Corresponde também à realidade expressa por numerosas entrevistas realizadas na Federação das empresas suíças: a forte sobreavaliação do franco suiço alterou fundamentalmente a situação em relação ao ano passado. As empresas exportadoras clássicas e as empresas do ramo do turismo não são as únicas a ser confrontadas com dificuldades às vezes existenciais.
A força do franco prejudica tão cada vez mais enormes zonas da economia interna. A concorrência estrangeira faz-se fortemente sentir no mercado suíço em numerosos ramos. As empresas centradas no mercado interno devem enfrentar hoje novos concorrentes estrangeiros que não estavam anteriormente presentes na Suíça. As empresas que produzem componentes para empresas exportadoras, mas sem serem elas próprias exportadoras, devem reduzir os seus preços ou são ultrapassadas pelos concorrentes estrangeiros mais vantajosos. Além disso, durante os primeiros trimestres da apreciação do franco, diversas empresas, por exemplo no comércio por grosso puderam realizar ganhos cambiais. Hoje, o vigor do franco coloca-o igualmente sob pressão: o turismo de compras na Suiça explode e paralelamente as importações aumentam fortemente. O número de empresas que ganham com o franco forte têm hoje diminuído fortemente . O alto valor do franco não põe somente em dificuldade as empresas exportadoras. Tornou-se um problema para toda a economia.
Aumento da produtividade e redução dos custos
Como reagem as empresas a este grande desafio ? Os gráficos 4 e 5 apresentam as medidas encaradas nos ramos exportadores e nos ramos focalizados para o mercado interno. As empresas tentam em primeiro lugar reduzir os custos e aumentar a produtividade.
As reacções nos ramos exportadores e nos ramos centrados no mercado interno são quanto a isto muito semelhantes. Nos ramos exportadores sobretudo, as empresas querem adquirir mais parcelas do processo produtivo no estrangeiro, ou seja, querem que uma maior parte do processo produtivo seja em produtos semi-acabados no estrangeiro. Entre 10% a 20% das empresas pensam transferir a produção no estrangeiro. O aumento do tempo de trabalho e as baixas de salários são frequentemente evocados.
É naturalmente muito cedo para quantificar as consequências no mercado de trabalho. Estas dependerão muito também da duração e da importância da ssobreavaliação do franco. Nos sectores de vocação exportadora, haverá postos de trabalho que serão suprimidos. Se o emprego continuar a estar mais ou menos constante em 2011, deverá a sensivelmente descer em 2012.
A forte sobre-avaliação do franco a longo prazo provocaria uma baixa significativa do emprego na indústria de exportação, de aproximadamente cerca de 5%. Nos sectores centrados no mercado interno, o emprego progredirá ligeiramente em média tanto em 2011 como em 2012, mas reduzir-se-á também em diversos ramos.
Para mais informações :
rudolf.minsch@economiesuisse.ch
fabian.schnell@economiesuisse.ch
[1] Percentagem média por ramo. Os ramos exportadores do gráfico 3 compreendem os ramos exportadores “clássicos”: a indústria das máquinas, relojoaria, a química e a farmácia bem como a hotelaria (sem as exportações de serviços, sem a indústria têxtil). Não é possível estabelecer uma delimitação clara com os ramos voltados para o abastecimento do mercado interno. No gráfico 3, os ramos do mercado interno englobam a tipografia, a publicidade, a informática, as telecomunicações, a energia (gas, petróleo, electricidade), o comércio de importação, os seguros, o conselho às empresas, mas não os bancos. O gráfico deve ser interpretado com prudência porque não apanha toda a produção económica.
