Por aqui também passa o trabalho, por Júlio Marques Mota – II

(Continuação)

 

Absurdo nosso? Provocação nossa? Vejamos então.

 

Dizem-nos estes industriais suiços :

 

O valor elevado  do franco, um problema para toda a economia. Os resultados deste curto inquérito mostram que o problema não se põe  de maneira generalizada em todos os ramos, nem que este se  limita  à indústria de exportação. (…) A força do franco prejudica tão cada vez mais enormes  zonas  da economia interna. A concorrência estrangeira faz-se fortemente sentir  no mercado suíço em numerosos ramos. (…).  O alto valor do franco não põe somente em dificuldade  as empresas exportadoras. Tornou-se um problema para toda a economia .


Que fazer, pergunta-se. Eis as respostas :

 

Como reagem as empresas a este grande desafio ? Os gráficos 4 e 5 apresentam as medidas encaradas nos ramos exportadores e nos ramos focalizados para o mercado interno. As empresas tentam em primeiro lugar reduzir os custos e aumentar a produtividade.

 

As reacções nos ramos exportadores e nos ramos centrados no mercado interno são quanto a isto muito semelhantes. Nos ramos exportadores sobretudo, as empresas querem adquirir mais parcelas do processo produtivo no estrangeiro, ou seja, querem que uma  maior parte do processo produtivo seja  em produtos semi-acabados no estrangeiro. Entre 10% a  20% das empresas pensam transferir a produção no estrangeiro. O aumento do tempo de trabalho e as baixas de salários são frequentemente evocados.

 

 

Veja-se um dos gráficos exemplificativos das respostas dos industriais suiços :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Simplesmente reduzir os custos, seja pela redução de salários, seja pelo aumento de produtividade a salário constante, seja pela  deslocalização relativa ou absoluta para o estrangeiro, em suma e mais uma vez, onde menos se espera, pretende-se que sejam os trabalhadores a pagar a crise, ou seja, neste caso a pagarem os efeitos prejudiciais da especulação à alta do franco suiço, à descida do euro. O neoliberalismo é assim mas a ser assim  francamente estamos num universo  de  doidos, com o grave problema  de que por este universo de doidos passa por ele também a economia, passa por ele  o destino de milhões de pessoas, de todos aqueles que trabalham, de todos aqueles que mais cedo ou mais  tarde, quando crescerem, irão  trabalhar. De que mais poderemos   todos nós, trabalhadores,  ser acusados?

  

Texto dos  Industriais da Suiça

 

 

O elevado   valor do  franco pesa sobre toda a economia .

 

 

A apreciação da situação actual  

 

As estatísticas mostram os  primeiros sinais de redução dos ritmos de actividade.


O  vigor actual do franco coloca a economia da Suiça  perante desafios  gigantescos. As suas repercussões sobre  o nosso país serão consideráveis. São numerosas as empresas  que assumem nestes  dias importantes decisões quanto às medidas  a tomar  em reacção  à rápida subida  do franco. As estatísticas das últimas semanas e dos  últimos meses não deixavam ainda apenas perceber os sinais de redução dos ritmos de crescimento económico. As exportações continuavam  a aumentar, ainda que os exportadores ganhem   muito menos sobre cada euro de produtos vendidos e que as suas margens estejam  postas duramente sob pressão.

 

Os sinais de um próxima  situação de bloqueio  conjuntural são doravante visíveis:  pela primeira vez  desde a crise financeira, os cadernos  de encomendas na indústria estão sensivelmente desguarnecidos .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O barómetro conjuntural do Centro de investigações sobe a conjuntura  de EPFZ (KOF) indica ele também que o crescimento económico reduzir-se-á  durante os próximos meses. Como se  vê  no gráfico 2, este indicador conjuntural importante situa-se ainda largamente acima do valor zero, sinal de que  o crescimento prossegue . Em comparação com o mês precedente, no entanto, a curva está em nítido retrocesso .   Para além da esperada redução do ritmo de crescimento do crescimento da economia mundial,  o elevado valor  do franco deve, disso que não hajam dúvidas,  é um  outro factor que pesa fortemente  sobre o dinamismo conjuntural da Suíça.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Efeitos concretos do franco forte sobre a economia

 

As consequências do franco forte são difíceis de estimar, porque variam de acordo com os ramos e de acordo com   as empresas. Para se fazer  uma ideia da situação económica actual da economia suiça  fez-se  um curto inquérito junto dos seus membros entre os dias 11 e 17 de Agosto de 2011, tendo como  objectivo   estimar   a amplitude das dificuldades nas empresas e saber que  medidas elas encaram para as  superar. Durante  o curto período de realização do  inquérito, o euro trocava-se contra o franco suiço  entre 1,08 e 1,15 francos por euro . Devido à curta duração do periodo considerado,  muitas das organizações de ramo não puderam proceder  a uma estimativa sumária e momentânea e devem por conseguinte ser interpretadas  com prudência.

 

 

O gráfico 3 apresenta os efeitos esperados  da forte  subida   do franco sobre os ramos exportadores e sobre os ramos que estão voltados para o mercado interno. Em cada ramo que conta empresas exportadoras e empresas importadoras, a distinção não é absoluta e serve sobretudo para efeitos de  ilustração. O gráfico revela que os efeitos do franco forte sobre os ramos centrados no mercado interno são menos perceptíveis  do que nos ramos exportadores (máquinas, relojoaria,  química, farmácia, hotelaria).  Apesar disso, o elevado valor do  franco  suiço ameaça também a existência de empresas do mercado interno[1].

 

Contrariamente, se as empresas activas nos ramos orientados para o mercado interno declaram mais frequentemente que os efeitos do franco forte são neutros ou positivos, encontram-se também empresas exportadoras que sofrem pouco  com o franco forte. Estes resultados indicam que o problema não é específico a  certos ramos, mas que se  manifesta  em  graus variáveis todos os ramos:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Source: economiesuisse 

 

 

  

O valor elevado  do franco, um problema para toda a economia. Os resultados deste curto inquérito mostram que o problema não se põe  de maneira generalizada em todos os ramos, nem que este se  limita  à indústria de exportação. Esta confirmação  não tem por principal  explicação  as dificuldades de delimitação estatística. Corresponde também à realidade expressa  por numerosas  entrevistas realizadas na Federação das empresas suíças:  a forte sobreavaliação  do franco suiço alterou fundamentalmente a situação em relação ao ano passado. As empresas exportadoras clássicas e as empresas do ramo do turismo não são as únicas a ser confrontadas com dificuldades às vezes existenciais.

 

A força do franco prejudica tão cada vez mais enormes  zonas  da economia interna. A concorrência estrangeira faz-se fortemente sentir  no mercado suíço em numerosos ramos. As empresas centradas no mercado interno devem enfrentar hoje novos concorrentes estrangeiros que não estavam anteriormente presentes na Suíça. As  empresas que produzem componentes para empresas exportadoras, mas sem serem elas próprias exportadoras, devem reduzir os seus preços ou são ultrapassadas pelos  concorrentes estrangeiros mais vantajosos. Além disso, durante os  primeiros trimestres da apreciação do franco, diversas empresas, por exemplo no comércio por grosso puderam realizar ganhos cambiais. Hoje, o vigor do franco coloca-o  igualmente sob pressão: o turismo de compras na Suiça  explode e paralelamente as importações aumentam fortemente. O número de empresas que ganham com  o franco forte têm hoje diminuído fortemente .  O alto valor do franco não põe somente em dificuldade  as empresas exportadoras. Tornou-se um problema para toda a economia.

  

Aumento da produtividade e redução dos custos

 

Como reagem as empresas a este grande desafio ? Os gráficos 4 e 5 apresentam as medidas encaradas nos ramos exportadores e nos ramos focalizados para o mercado interno. As empresas tentam em primeiro lugar reduzir os custos e aumentar a produtividade.

 

As reacções nos ramos exportadores e nos ramos centrados no mercado interno são quanto a isto muito semelhantes. Nos ramos exportadores sobretudo, as empresas querem adquirir mais parcelas do processo produtivo no estrangeiro, ou seja, querem que uma  maior parte do processo produtivo seja  em produtos semi-acabados no estrangeiro. Entre 10% a  20% das empresas pensam transferir a produção no estrangeiro. O aumento do tempo de trabalho e as baixas de salários são frequentemente evocados.

 

É naturalmente muito  cedo para quantificar as consequências no mercado de trabalho. Estas dependerão muito também  da duração e da importância da ssobreavaliação  do franco. Nos sectores de vocação exportadora,  haverá postos de trabalho que serão suprimidos. Se o emprego continuar a estar  mais ou menos constante em 2011, deverá a sensivelmente descer  em 2012.

 

A forte sobre-avaliação do franco a longo prazo provocaria uma baixa significativa do emprego na indústria de exportação, de aproximadamente cerca de 5%. Nos sectores centrados no mercado interno, o emprego progredirá ligeiramente em média tanto em 2011 como  em 2012, mas reduzir-se-á  também em diversos ramos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Para mais informações  :

 

rudolf.minsch@economiesuisse.ch

fabian.schnell@economiesuisse.ch


[1] Percentagem média por ramo. Os ramos exportadores do gráfico 3 compreendem os ramos exportadores “clássicos”:  a indústria das máquinas, relojoaria, a química e a farmácia bem como a hotelaria (sem as exportações de serviços, sem a indústria têxtil). Não é possível estabelecer uma delimitação clara com os ramos voltados para o abastecimento do  mercado interno. No gráfico 3, os ramos do mercado interno englobam a tipografia, a publicidade, a informática, as telecomunicações, a energia (gas, petróleo, electricidade), o comércio de importação, os seguros, o conselho às empresas, mas não os bancos. O gráfico deve ser interpretado com prudência porque não apanha  toda a produção económica.

 

 

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