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O Acordo Ortográfico – Mia Couto e Eduardo Agualusa

 

Num entrevista dada há tempos, o escritor moçambicano Mia Couto afirmou: «Tenho posição ambígua porque acho que houve quem estudou o assunto e sabe mais que eu. Houve linguistas que estiveram anos trabalhando sobre isso(…) «Provavelmente, há algumas áreas em que nós saímos todos beneficiados, como por exemplo, na área do livro escolar, da aprendizagem da língua. O facto de os manuais angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos poderem ser feitos no Brasil ou Portugal, indiferentemente». (…) «são questões práticas que pesam».

 

Questionado sobre como encara o novo Acordo Ortográfico, Mia Couto assegurou que irá ajustar-se à convenção, até porque não é “um militante contra o acordo”, embora se distancie da “falsificação das razões” apresentadas para introdução do pacto – «Do ponto de vista literário, não acho necessário, acho dispensável, terei dificuldades em escrever da maneira nova e acho que grande parte dos argumentos que foram feitos a favor do acordo são argumentos falsos» (…) «Muitas vezes se argumenta que este acordo é necessário porque os nossos países viviam distantes e agora a nova ortografia comum vai aproximar-nos. Acho que isto é uma mentira» Para o escritor, a distância entre os países deve-se ao facto de existirem «razões de diferentes políticas, da falta de vontade de criar uma proximidade e apostas geoestratégicas diferentes» (…) «O Brasil tem aquele universo da América Latina, tem a sua posição no mundo, Portugal tem outra, os africanos têm outra, estas são as grandes razões (..), mas vou ter que me ajustar às novas regras da língua portuguesa».

 

Mais recentemente Mia Couto discordou da posição do angolano Eduardo Agualusa, apoiante do Acordo e que defendeu que a não ser posto em prática, Angola deveria adoptar a norma brasileira. Contra a posição tomada por Agualusa, Mia Couto, escritor moçambicano, rejeita e defende que não existe necessidade de acordo ortográfico da língua portuguesa pois as omissões, excepções e casos especiais são tantos que não trará nenhuma melhoria efectiva. «Sou um grande amigo de Agualusa, mas nesse ponto tenho uma grande divergência».

 

Agualusa diz que «Angola tem mais a ganhar com a existência de uma ortografia única do que Portugal ou o Brasil». O escritor acusa Portugal de um “enraizado sentimento imperial” o que tem levado a que o Acordo Ortográfico não se desenvolva e acabe por cair no esquecimento.

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