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Diário de Bordo de 15-10-2011

Circula pela net o diálogo entre Mazarinno e Colbert – Jules Mazarin, ou seja Giulio Mazzarino, estadista italiano, primeiro-ministro de França de 1642 até 1661 e Jean-Baptiste Colbert, criador de uma doutrina económica. Ambos serviram o rei Luís XIV – o cardeal como chefe do governo e Colbert como responsável pelos assuntos económicos de França. O diálogo nunca terá tido lugar, mas podia ser adaptado à situação que atravessamos – pondo, por exemplo, Salazar a aconselhar Passos Coelho. Um «Diálogo imaginário», como os que A Barraca organiza – deixamos a sugestão ao Hélder Costa. Então seria assim:

 

Passos Coelho – Para arranjar dinheiro, chega-se a um ponto em que enganar o contribuinte já não chega. Senhor Professor, explique-me como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…

 

Salazar: – Um desgraçado, se não paga as dívidas, é preso. Mas não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, continua-se a lançar impostos…

PC: – Mas já criámos todos os impostos…  não podemos lançar mais impostos sobre os mais pobres – sobre os sem abrigo, por exemplo…

 

S: – Sim, isso é impossível.

 

PC: – E sobre os ricos?

 

S: Sobre os ricos, nem pensar. Sairiam do país.

 

PC: – Então, o que fazer?

 

S: – Pensas como um queijo ou como um penico de doente! Grande maioria das pessoas vive entre os milionários e os sem-abrigo. São os que trabalham para fugir à miséria e os que trabalharam toda a vida, foram sangrados com impostos e vivem de pensões. São eles que pagam tudo e é sobre esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais!

 

O diálogo imaginário pode continuar. Mas a realidade é mais dramática.

 

O Expresso on line de ontem revelava os rendimentos de 15 políticos portugueses, antes e depois de terem passado pelo governo. Houve um ou outro nome que causou surpresa; outros, nem tanto

(http://aeiou.expresso.pt/veja-os-rendimentos-de-15-politicos-portugueses-antes-e-depois-de-passarem-pelo-governo-grafico-animado=f680329)

 

Não vamos aqui falar sobre isso (deixamos o link) Mas é um escândalo que gente dos partidos que se revezam no Governo, aproveitem os cargos para enriquecer. Os dinheiros comunitários esvaíram-se em obras, auto-estradas, hospitais, escolas – infra estruturas. Alguém saberá fazer um cálculo de quanto foi parar inviamente a bolsos de gente que se aproveitou dos cargos no governo para ficar rico? Seria curioso, agora que nos apresentam a factura, sabermos por quanto é que realmente devíamos ser responsabilizados. Mas nunca saberemos isso. Só nos dizem que é preciso pagar. A falta de pudor desta gente é maior do que a dos políticos do salazarismo.

 

Há uma diferença – estes roubam legitimados pelo nosso voto. Será essa a única diferença entre o fascismo e «esta» democracia?

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