OS HOMENS DO REI – 58 – por José Brandão

Luís de Meneses – Conde da Ericeira (1632-1690)

 

 

Nascido em Lisboa a 22 de Julho de 1632, a Restauração de 1640 colocou-o aos sete anos de idade ao serviço do príncipe D. Teodósio, com quem se criou. Como filho segundo que era, pensou em buscar fortuna além-mar e acompanhar João da Silva Tello de Meneses que em 1650 ia pela segunda vez à Índia como vice-rei. Mas, D. João da Costa, governador das armas do Alentejo sabia avaliar a têmpera dos homens e chamando-o para junto de si abriu-lhe uma carreira militar brilhante.

 

Militar, político e escritor português. D. Luís de Meneses, 3.º conde da Ericeira, ficou conhecido como o «Colbert português», por ter tentado pôr em prática as teorias mercantilistas, defendidas em França por Colbert e introduzidas em Portugal por Duarte Ribeiro de Macedo.

 

Com D. Pedro II como regente do reino, desempenhou os cargos de governador de Trás-os-Montes, deputado da Junta dos Três Estados e vedor da Fazenda. Foi neste último cargo, para o qual foi nomeado em 1675, que tomou medidas para reorganizar o comércio, fazer uma reforma monetária e promover a industrialização do país. Foi através da sua acção que se desenvolveram as indústrias de lanifícios, de sedas e de curtumes, tendo surgido manufacturas de tecidos de lã na Covilhã, Fundão e Portalegre, e de sedas em Trás-os-Montes, Lisboa e Tomar.

 

Para modernizar as indústrias concedeu privilégios a mercadores e fabricantes e começou a preocupar-se com as condições do salário e alojamento dos trabalhadores.

 

D. Luís de Meneses funda a fábrica-escola na Ribeira da Carpinteira. Mandou vir técnicos estrangeiros, sobretudo da Inglaterra (5 estampadores, 4 tecelões, duas mulheres que fiavam e oficiais de tinturaria). Poucos anos depois, trabalhavam nesta laboriosa cidade 400 oficiais e 17 teares. Em 1710, por ordem de D. João V, todas as fardas do exército português passam a ser fabricadas na Covilhã e em 1764 é aqui criada a Real Fábrica de Lanifícios.

 

Para combater a concorrência, sobretudo das importações inglesas e francesas, pôs em prática algumas pragmáticas (1677 e 1688), leis anti-sumptuárias que combatiam o luxo e proibiam o uso de artigos estrangeiros, protegendo assim a indústria nacional. Mais tarde, esta política manufactureira foi abandonada, como ficou demonstrado pela assinatura do tratado de Methuen, em 1703.

 

O conde da Ericeira foi, para além de político, militar e homem de letras. Com a patente de general de artilharia, participou em várias batalhas da guerra da Restauração – Linhas de Elvas, Ameixial, Montes Claros – e, como homem de letras, deixou uma biblioteca particular muito rica e foi autor da obra mais importante sobre a restauração da independência: História de Portugal Restaurado, publicada em 2 volumes.

 

Tinha um palácio maravilhoso em Lisboa. A biblioteca era preciosa, pois continha obras de grande valor histórico e literário, assim como mil colecções de manuscritos. Possuía também o palácio um riquíssimo museu de pintura, onde, entre duzentos quadros. O palácio e todas as suas riquezas foram devoradas pelo incêndio que se seguiu ao terramoto de 1755. D. Luís de Meneses, sofrendo grandes ataques de melancolia, precipitara-se, anos antes, de uma janela do palácio, morrendo quase instantaneamente.

 

Ainda hoje o seu trabalho é o mais importante da historiografia portuguesa sobre a Restauração de 1640 e o período que se lhe seguiu até ao ano de 1668. E esta corajosa tarefa de historiar os eventos políticos, militares e diplomáticos do seu próprio tempo talvez lhe tenha ocasionado, no ambiente palaciano e político em que vivia, traumatismos psicológicos tais que o levariam, porventura, ao suicídio antes de ter completado os cinquenta e oito anos de idade, na manhã de 26 de Maio de 1690.

 

A seguir: Marquês das Minas

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