Israel tem sido apontado como tendo conseguido avanços notáveis no que respeita à igualdade de géneros. Contudo, há dias foi noticiado um incidente num autocarro, que envolvia um indivíduo de uma seita ultra-ortodoxa, os haredi, que quis obrigar uma mulher que tinha acabado de entrar, a ficar sentada na parte de trás do veículo. O incidente com intervenção policial. Não se tratará de um caso isolado. Os haredi conseguiram que fossem postos a circular autocarros em que os homens se sentam na parte da frente e as mulheres na parte de trás. O assunto tem levantado grande polémica, mas parece que os haredi não esmorecem, e continuam a praticar a discriminação de género. Será de assinalar que são várias centenas de milhar em Israel (existem também no Reino Unido e nos EUA), têm uma elevada taxa de natalidade, e um peso político considerável. Será ainda de assinalar que Israel pretende formar um estado judaico, temendo-se que pretenda chegar ao ponto de os seus cidadãos serem obrigatoriamente seguidores da religião hebraica, num regime de confusão entre a estrutura religiosa e o estado. O peso dos ultra-ortodoxos na vida do país é no sentido de se caminhar para esse extremo.
Nos EUA, várias igrejas estão a participar mais ou menos abertamente na campanha eleitoral, sobretudo do lado republicano. Aliás, nos EUA a participação das igrejas na vida política e social não é nova, e é imensa. Algumas dizem-se mesmo imbuídas do espírito dos pais fundadores, isto é, dos primeiros colonos chegados à América, vindos sobretudo da Inglaterra e da Holanda. Defendem valores tradicionais sobre a família, a vida em geral, e chegam ao ponto de entrar nas escolas e defenderem o ensino da teoria criacionista, em detrimento do evolucionismo. Fazem proselitismo mundial, excepto talvez nos países islâmicos. Têm uma presença considerável junto dos mais desfavorecidos.
Nalguns destes, como no Egipto e na Tunísia têm-se realizado eleições que vão levando partidos islâmicos ao poder. Trata-se de uma tendência que se prevê estar para durar. No Egipto, de vez em quando acendem-se lutas entre muçulmanos e cristãos. Na Nigéria parecem estar em guerra aberta.
A Igreja Católica permanece a mesma, imutável. Pratica a discriminação de género na sua vida interna, perante a indiferença geral, com poucas excepções. Também tem uma presença enorme junto dos mais desfavorecidos, que não quer obviamente perder. Intervém regularmente na vida política, e mantém um peso económico incalculável.
A religião está de volta à primeira linha da vida política. É de temer que seja por muito tempo. E que seja o dobre a finados (é uma imagem a propósito) da democracia e de outras conquistas civilizacionais.

