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Diário de bordo de 23 de Janeiro de 2012

 

Não é possível ignorar o grande ridículo das declarações de Cavaco Silva, anteontem em Guimarães. Apesar de já nos termos referido ao assunto, dada a pequena tempestade que as insensatas palavras do presidente da República provocaram, temos de voltar a referi-lo. Com razão, Jerónimo de Sousa acusa o Presidente de insensibilidade e, com algum exagero, o PS exige mesmo um pedido de desculpas aos portugueses. Não esquecendo Passos Coelho que logo, avidamente, fez um aproveitamento da gaffe – dizendo que «os sacrifícios são para todos», como se as de Cavaco Silva e as de quem receba a reforma mínima sejam comparáveis. Isto, enquanto as reformas douradas crescem como cogumelos na administração pública. Cavaco Silva não foi feliz no seu improviso. Mas maior gaffe foi a nossa, eleitores, em o ter eleito. Quem elege Cavaco Silva não pode esperar que o discurso seja de Hegel.

 

 

De registar também a nunca desmentida tortuosidade de Marcelo Revelo de Sousa que,na sua tribuna semanal na TVI, admitiu que «o Presidente da República não foi feliz», já que «quis dizer uma coisa e saiu-lhe outra». Segundo Marcelo, Cavaco Silva pretendia dizer que também ele tinha dificuldades, mesmo sendo «um privilegiado». «Mas o que ficou subentendido não foi isso», E concluiu:. «Há dias em que uma pessoa não é feliz». Lembramo-nos de quando Jorge Sampaio publicou o livro de discursos presidenciais e lhes chamou «Quero-vos dizer» (e não, como seria correcto «Quero dizer-vos») , Marcelo também o veio «defender», enterrando-o ainda mais. Como dizia o escorpião para o animal que o ajudava a atravessar o rio – «é a minha natureza…»

 

E depois, nesta corte na aldeia, há também as queixas de Alberto João Jardim que parece  ter   descoberto que existe uma lei fundamental e que agora a invoca, ele que lhe tem cuspido vezes sem conta. E volta a ameaçar com o separatismo. Como se tivesse o direito de falar em nome dos madeirenses. Aliás, pensamos que estas divergências entre Passos Coelho e Jardim, mais não são do que um sketch ensaiado para demonstrar  a firmeza do executivo, que as «dificuldades são para todos» e para fazer esquecer as nomeações milionárias para gente do partido e todo o cortejo de medidas de terrorismo social que esta gente incompetente está a levar a cabo. «O País tem que ser solidário com os madeirenses e duro com os governantes que trouxeram a Madeira até este estado de falência», disse Carlos Zorrinho no encerramento das jornadas parlamentares do Grupo Parlamentar do PS-M na Assembleia Legislativa. Está certo.

 

Em todo o caso, os madeirenses deveriam ser solidários com os demais portugueses, não elegendo quem insulta a República e a delapida.

 

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