Cara(o)s associada(o)s
Em O Referencial nºs. 103/104, divulgado em Janeiro passado, integrado num conjunto de artigos sobre a Eurocrise, foi publicado um texto de José Romano – “Futuro da Europa” – que termina com uma breve nota especulativa sobre o caso particular de Lisboa nos “idos de Março” que estão para vir. Aí se vislumbrava que, por esses dias, o todo iluminado António Borges estaria a mandar em Portugal, imposto pela troika.
Muitos duvidaram e consideraram que o nosso arquitecto estava a exagerar… A Goldman Sachs influenciava muito, mandava muito, mas não conseguiria repetir em Portugal o que se passa na Grécia, em Itália e no BCE…
Pois bem, António Borges, como diria o José Romano, está hoje junto ao espelho do hall de entrada a ajeitar o nó da gravata, nos momentos que antecedem a entrada em cena.
Isto é, aí o temos, de mansinho, para habituar a opinião pública à sua discreta presença. Presença que será suficientemente publicitada e condimentada q.b. com os seus elevados méritos profissionais, grande experiência na área financeira, conhecimento dos mercados, alto quadro da Goldman Sachs (vice-presidente do Conselho de Administração do banco Goldman Sachs International, em Londres), figura respeitada internacionalmente e, até há bem pouco tempo, representante do FMI na Europa. Os comentadores e politólogos de serviço tratarão de difundir e amplificar o condimento, acrescentando que será uma importante mais valia para o país e para os portugueses no combate à terrível crise que estamos a viver e cuja causa imediata, afirmarão eles, é termos “vivido acima das nossas possibilidades”.
Querem tentar evitar o efeito de choque político inicial, mas rapidamente absorvido, quando das nomeações/imposições de não escrutinados democraticamente na Grécia e na Itália. São eles, respectivamente, Lucas Papademos e Mario Monti. Por coincidência, também eles, tal como António Borges, altos quadros do banco americano de investimento Goldman Sachs. Já para não falar de Mario Draghi, o todo poderoso presidente do sacrossanto BCE, politicamente independente e não sujeito a escurtínio democrático.
Como a memória é curta, relembremos o que António Borges, em plena crise do “subprime” (2007/2008), afirmava publicamente sobre os produtos ditos tóxicos. Dizia ele que os mesmos estavam a ser diabolizados sem razão. Pois eram produtos financeiros que muito tinham dado e podiam continuar a dar ao desenvolvimento e vitalização dos mercados financeiros para a criação de riqueza:
