Por Wall Street, os vampiros andarão à solta. Sobre o Facebook – VIII
Um pouco sobre a história, por dentro, do que aconteceu com a introdução em Bolsa de Facebook – Conclusão
(conclusão)
Neste texto temos vindo a falar dos grandes operados nos mercados financeiros. Os exemplos da UBS e do Crédit Suisse, o caso recente ainda da especulação, por cobertura de risco (!!!) de JPMorgan a partir da City de Londres com apostas que terão rondado os 100 mil milhões, e agora com esta operação onde estão dos maiores destes grandes operadores, JPMorgan, Goldman Sachs e Morgan Stanley, tudo isto faz com que se levantem fortes dúvidas que, com todo o direito, o cidadão da rua deve levantar sobre a incompetência e sobre a honestidade dos nossos políticos, sobretudo europeus, que tudo isto têm permitido e nos vêm dizer ainda que temos de nos submeter aos mercados. Dúvidas igualmente se levantam quanto à forma como estes mercados funcionam e dúvidas também se alguns deles não deveriam pura e simplesmente serem banidos. Se falamos da forma repare-se que estamos a falar de cotações que atingiram um pico de 42 dólares com a especulação a descoberto pelo meio como vimos quando, por exemplo os trabalhos de Thompson quando nos explicam que “Setting aside the hype and the cultural phenomenon that is the online networking site, Facebook Inc would be fairly priced at $9.59, according to the smattering of Wall Street estimates analyzed and modeled by Thomson Reuters StarMine”. Mais ainda, trabalho sobre um arco de tempo de 10 anos, dizem-nos:
“Just from basic modeling the stock should be around $17 to $20 dollars, and that is with a lot of variables would call that an ideal price. I would be interested in buying and I think that is a good deal for investors.”
Por outras palavras comprar a mais de 30 dólares o titulo Facebook significaria ainda, que “Facebook right now is going for far more than what it’s worth, it’s like buying $1 for $1.98, it just doesn’t make sense at this price,” diz-nos o conhecido blogger Eddy Elfenbein, e editor de Crossing Wall Street.
Em forma de conclusão podemos aceitar que se as investigações mostram que Morgan Stanley manteve deliberadamente uma cotação de introdução em bolsa artificialmente elevada e um volume de acções demasiado importante, se se confirma, pior ainda, que forneceu a alguns clientes informações que ocultou a outros clientes, o escândalo poderá ser estrondoso. E aqui estamos completamente de acordo com o senador Richard Blumenthal e outros quando nos dizem e deixemos o texto em inglês:
“For some in Congress, if federal regulators come up empty-handed, that could be an even greater cause for concern. “This IPO is a poster child for all that’s wrong with current practices. Whether or not the SEC or other regulators bring down the hammer, Facebook’s IPO is a clear sign that capital markets are rigged against ordinary “mom and pop” retail investors….
“You wonder, isn’t there something wrong with this picture? Where the underwriters selectively pick [who should receive] information, then the public is not only permitted but encouraged to participate?” Na mesma linha de reaciocínio deixemos aqui as declarações do senador Sen. Sherrod Brown para quem “Effective capital markets require transparency and accountability, not one set of rules for insiders and another for the rest of us,”) “The conduct in this highly publicized IPO only reinforces that the Senate was mistaken in voting to remove oversight from approximately 98 percent of all IPOs — for companies making less than $1 billion per year.”
E talvez seja claro o que nos disse Carl Levin a propósito de JPMorgan e da feroz especulação em Londres: é necessário que os reguladores voltem atrás e de lápis bem afiado. Pela nossa parte é tempo de dizermos não a estes mercados e a todos aqueles como Passos Coelho, Rajoy ou equivalentes que acham que a saída para a crise passa pela submissão aos caprichos destes grandes operadores e ao empobrecimento das populações para se enriquecer depois, talvez depois de estarmos mortos.
Coimbra, 2 de Junho de 2012.
Júlio Marques Mota
Referências bibliográficas
Le Monde, Les Echos, The Washington Post, New York Times, website da Reuters, da Forbes e sobretudo os trabalhos de Henry Blodget no site Business Insider.
