Por Júlio Marques Mota
Por Wall Street, os vampiros andarão à solta. Sobre o Facebook – I
Um pouco sobre a história, por dentro, do que aconteceu com a introdução em Bolsa de Facebook- Conclusão
A introdução de Facebook em bolsa, a oferta pública inicial, de sigla IPO, terá sido de tal forma anormal que já ronda o escândalo, mas por este escândalo suposto ou admitido também passaram muitos milhares de milhões, 16, e muitas milhões mesmo de comissões. Um mundo de zeros que não é feito à nossa escala. E nesta introdução houve de anormal terá havido de tudo, até uma avaria no sistema informático que terá levado a que alguns grandes operadores de mercado, os criadores de mercado, tenham perdido muitos milhões, por atrasos de milésimos de segundo entre a ordem de venda dada pelo operador e a recepção pela bolsa, o Nasdaq. Milésimos de segundo que terão levado a que a primeira cotação da rede social tenha tido que esperar quase meia hora, por causa das muitas ordens de compra e venda. O problema foi devido a um atraso de dois milissegundos no cálculo de um preço de abertura, que conduziu a um número excepcional de anulações de ordens. Para cúmulo desta história, bem ou mal contada, ou verdadeiramente ainda por contar, quatro dos principais criadores de mercado para a introdução em bolsa de valores do Facebook, Knight Capital, Citadel Securities, UBS e Automated Trading Desk do Citigroup, perderam no total mais de 100 milhões de dólares, disse um dirigente de uma destas empresas. Knight e Citadel dizem terem perdido, cada uma delas, 30 a 35 milhões, o que é muito mais que o montante do fundo disponível de 13 milhões de dólares criado por Nasdaq para a resolução de reclamações. Cidadel enviou um registo das suas perdas ao Nasdaq para uma eventual indemnização, soube-se de fonte próxima deste processo. Para termos uma ideia desta questão imaginemos que estou a especular sobre os títulos que me “cheiram” a sobre-avaliados: vendo 2 milhões de títulos a 42 dólares, por exemplo. O operador com quem faço a transacção, Knight Capital, por exemplo, fixa-me o preço 42 dólares menos comissões de 1% por exemplo. Mas a ordem chega atrasada já com os títulos em baixa a 37 dólares. Eu “ganhei”, pois vendi a 42 e fui comprar ao mesmo operador a 37 depois e este pagou-me ele a diferença, porque o Nasdaq, a Bolsa, não respondeu no tempo que devia.
Como se isto ainda não chegasse, há também um dado estranho, muito estranho, os analistas reviram à baixa os resultados económicos relevantes de Facebook e reviram-nos antes da introdução em Bolsa. Segundo fontes anónimas, vários analistas dos principais bancos subscritores, entre os quais Scott Devitt, especialista do sector da Internet a trabalhar para o Stanley Morgan, que teria argumentado face aos seus superiores, nos dias anteriores do IPO, que na sua opinião, o banco estava a sobrevalorizar Facebook.
Devitt, em particular, considerava que o crescimento no volume de negócios da rede social em 2012 seria inferior ao que as estimativas disponibilizadas aos investidores. Outros indicaram que a expectativa dos lucros no segundo trimestre teria diminuído de 5%. Preocupações semelhantes teriam aparecido na Goldman Sachs e em JPMorgan, também eles bancos Conselho de Facebook.
Soube-se da revisão das expectativas quanto aos resultados financeiros de Facebook , depois da sua entrada em bolsa, enquanto se consta que houve grandes investidores que o souberam bem antes da própria introdução em Bolsa, facto este que terá tido a sua influência no desenrolar da proporia colocação em bolsa desta empresa . A limpeza de processos de Wall Street está aqui bem à vista. Nesta operação e sobre ela diz-se que o principal subscritor da entrada em bolsa de Facebook, Morgan Stanley, e os outros subscritores terão ganho com esta operação qualquer coisa como 100 milhões de dólares ao estabilizarem o valor do título Facebook Inc. desde a sua entrada em Bolsa, na sexta-feira. Isto é o que dizem pessoas próximas do processo. Como principal subscritor da entrada em bolsa de Facebook Morgan Stanley receberia a maior parte desses lucros, é o que se diz nos meios financeiros. O banco receberia estes valores para além da sua parte dos 175 milhões de dólares em taxas pela entrada em bolsa que são a distribuir pelos subscritores. Além disso, Goldman Sachs vendeu $1,09 mil milhões de dólares em títulos que possuía por conta própria ou na base de ordens dadas pelos seus clientes.
(Continua)

