Há quase um século, um rapaz de uma família de escassos recursos, estudante do primeiro ano de engenharia, casou com uma jovem de uma família abastada. Tinha 18 anos e não tinha tempo para acabar o curso – precisava de provar à mulher e aos sogros que não tinham apostado num cavalo errado. Fabricou um diploma de Oxford atribuído pela Polytechnic School of Engenneering – hoje seria fácil, com os programas de computador, mas em 1916 deve ter dado muito trabalho. E foi para Angola. A carta de curso certificava estar habilitado com múltiplas competências que cobriam quase todas as áreas da Engenharia. Depressa se tornou numa figura importante na colónia. Fez maravilhas na rede de esgotos de Luanda e depois, com um cheque sem cobertura comprou a maioria das acções da Companhia de Caminhos de Ferro. Deparou com um parque de locomotivas avariadas e de carruagens inactivas e pôs tudo a funcionar. Em 1922 regressou a Lisboa, rico e prestigiado.
Falamos de Alves dos Reis, o do caso da burla do Banco Angola e Metrópole. Foi preso, julgado e condenado,
Hoje para certos políticos, os falsos diplomas obtêm-se no mesmo local onde se passam os autênticos. Não têm tempo para frequentar cursos – têm de provar o que valem (?) agora e não daqui por três anos. Pouco interessa se Relvas possui ou não um diploma legal –. como alguém disse, um deputado ou um ministro não têm de ter cursos do ensino superior. O grave (a confirmar-se o que se diz) é a mentira. Segundo se apurou, antes de se matricular na Lusófona, fez uma cadeira num ano, de 2006 a 2007, concluindo a licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, nesse ano. Alega-se que foram tomadas em consideração a experiência profissional e os conhecimentos de Relvas. Este método de avaliação e de atribuição de créditos é aplicável a todos os alunos ou apenas a alguns? O reitor da Universidade Lusófona esclareceu que a instituição não divulga a avaliação de Miguel Relvas no curso de Ciência Política e Relações Internacionais porque o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares não autoriza. O plano curricular, as cadeiras que tiveram equivalência ou os exames efectuados só serão divulgados se houver uma autorização do aluno, mas assegura que tudo foi feito «dentro da legalidade». «Isto faz-se em todo o lado e nós fazemos declaradamente», explicou o reitor a propósito das equivalências dadas a pessoas com currículo profissional importante na área em que se candidatam. O administrador da Universidade disse que existem «muitas centenas de casos de pessoas que têm beneficiado» desta excepção.
Narana Coissoró, professor de Ciência Política na Universidade Lusófona e ex-deputado, não está de acordo: «É absolutamente excepcional. Há muitas personalidades a quem se dá o doutoramento honoris causa, mas não conheço nenhum caso de licenciaturas honoris causa.
Isto tem a importãncia que tem, mas é curioso ver a repetição de um padrão – Universidades privadas a fornecer diplomas a políticos. Sócrates, Passos Coelho, Relvas, são a ponta de um iceberg cuja dimensão é impossível avaliar. Quantos diplomas terão sido passados em condições excepcionais? Pensamos que a atenção teria de se concentrar sobretudo nas Faculdades de Medicina. Porque licenciados honoris causa em Ciência Política e Relações Internacionais e outros semelhantes, não criarão mais problemas por não terem diploma.
A Miguel Relvas não há diploma que valha. É um elemento típico desta equipa de incompetentes. Aos casos das ‘secretas’ e do Público, junta o de mentir no caso do diploma e do curso. Mas não se demite.
E isso é que é preocupante.

