1.Sobre a nova geografia na Europa
(continuação)
Necessidades de financiamento para este ano, onde a Alemanha vai pagar juros vizinhos de zero garantindo-se no imaginário dos compradores que depois do euro estoirar os euros na Alemanha vão valer bom dinheiro enquanto a Itália vai pagar juros proibitivos a serem sacados pelas políticas de austeridade a todos aqueles que vivem do seu trabalho. A grande burguesia italiana irá então oferecer o seu dinheiro à Imperial Alemanha a taxa vizinha de zero, ou aplicá-lo-á na Suiça colocando a sua fortuna ao abrigo dos Berlusconi que entretanto poderá ter criado. Com estas diferenças de taxas de juro acho que Deus se engana sistematicamente no caminho: ajuda aos ricos e tira aos pobres. E ainda chamam a isto, uma União Monetária. Veja o gráfico de barras abaixo:
A transferência de dívida privada para dívida pública. Imagine-se a jogar neste jogo em que é o leitor que paga tudo, transferindo as suas dívidas privadas para o Estado. Bons negócios, portanto.
Conserve, conserve bem o dinheiro que se manda para a Alemanha ou para a Suiça, para todo o lado que lhe garanta que os seus euros são amanhã euros ou que transformados em nova moeda valerão ainda mais que o euro de hoje. A tentar que os depósitos se mantenham em Espanha, veja a mecânica, imagine o carrocel do dinheiro por essa Europa a passear, a garantir-se do futuro que lhe estão a estragar. E veja o esforço dos bancos em Espanha para terem liquidez!
O que é faz o Banco Sabadell, o 5º maior banco de Espanha, tentar manter os depósitos em dinheiro que se estão a deslocar para a Alemanha ou a Suíça? Eles oferecem uma muito maior taxa de depósito, uma suculenta taxa, diremos… Quanto maior for a parte da sua aplicação financeira que deseje fixar em Espanha por um ano (“fund”), mais eles lhe vão pagar.
Isto é caro. E alguns dos mais pequenos bancos pagam ainda mais. Na verdade, os bancos em Espanha pagam mais pelos depósitos do que eles fazem em hipotecas. Porquê então preocuparem-se quando se pode substituir os depositantes pelo BCE.
Bloomberg: – enquanto os dois maiores credores da Espanha, Banco Santander SA (SAN) e o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria SA (BBVA), ganham a maior parte dos seus rendimentos fora do país, os bancos menores dependem de negócios domésticos. A sua actividade mais rentável é a de contrair empréstimos à taxa de 1 por cento junto do Banco Central Europeu e empresta-lo a seguir ao governo espanhol à taxa 6 por cento – corre o risco de levar o país à falência.
(continua)
