Sobre a nova geografia da União Europeia, de Riga a Nicósia, olhares sobre a sua geografia política e económica que na zona euro está a ser instalada.

Por Júlio Marques Mota

 

1.Sobre a nova geografia na Europa

 

(continuação)

 

 

Necessidades de financiamento para este ano, onde a Alemanha vai pagar juros vizinhos de zero garantindo-se no imaginário dos compradores que depois do euro estoirar os euros na Alemanha vão valer bom dinheiro enquanto a Itália vai pagar juros proibitivos a serem sacados pelas políticas  de austeridade  a todos aqueles que vivem do seu trabalho. A grande burguesia italiana  irá então oferecer o seu dinheiro à Imperial Alemanha a taxa vizinha de zero, ou aplicá-lo-á na Suiça colocando a sua fortuna ao abrigo dos Berlusconi que entretanto poderá ter criado. Com estas diferenças de taxas de juro acho que Deus se engana sistematicamente no caminho: ajuda aos ricos e tira aos pobres. E ainda chamam a isto, uma União Monetária.  Veja o gráfico de barras abaixo:

 

 

 

 

A transferência de dívida privada para dívida pública. Imagine-se a jogar neste jogo em que é o leitor que paga tudo, transferindo as suas dívidas privadas para o Estado. Bons negócios, portanto.

 

 

 

 

Conserve, conserve bem o dinheiro que se manda para a  Alemanha ou para a Suiça, para todo o lado que lhe garanta que os seus  euros são amanhã euros ou que transformados em nova moeda valerão  ainda mais que o euro de hoje. A tentar  que os depósitos se mantenham  em Espanha, veja a mecânica, imagine o carrocel do dinheiro por essa Europa a passear, a garantir-se do futuro que lhe estão a estragar. E veja o esforço dos bancos em Espanha para terem liquidez!

 

O que é  faz o Banco Sabadell,  o 5º maior banco de Espanha, tentar manter os depósitos em dinheiro  que se estão a deslocar para a Alemanha ou a Suíça? Eles oferecem uma muito maior taxa de depósito, uma suculenta taxa, diremos…  Quanto maior for a parte da sua aplicação financeira que  deseje fixar em Espanha   por  um ano (“fund”), mais eles lhe  vão pagar.  

 

 

Isto é caro. E alguns dos mais pequenos bancos pagam ainda mais. Na verdade, os bancos em Espanha pagam mais pelos depósitos do que eles fazem em hipotecas. Porquê então preocuparem-se quando se  pode substituir os depositantes pelo BCE.

 

 

Bloomberg: – enquanto os dois maiores credores da Espanha, Banco Santander SA (SAN) e o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria SA (BBVA), ganham a maior parte dos seus rendimentos  fora do país, os bancos menores dependem de negócios domésticos. A sua actividade mais rentável é a de contrair empréstimos à taxa de 1 por cento junto do Banco Central Europeu e  empresta-lo a seguir ao  governo espanhol   à  taxa  6 por cento – corre o risco de levar o país à falência.  

 

 

(continua)

 

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