Um novo conceito tem aparecido na literatura relacionada com o ensino e com as vivências dos jovens nos estabelecimentos em que é ministrado. É o conceito de escola “apoiante”, traduzindo eu a palavra “SUPPORTIVE” e aceitando que possa haver outra palavra mais correcta.
Então que escola é esta? É aquela que as crianças sentem como segura e justa. Para isso, necessitam sentir que os professores que os apoiam, que os colegas são colaborantes e que a pressão para o sucesso não é excessiva.
É a este propósito que se pode falar da violência na escola. Mas VIOLÊNCIA NA ESCOLA OU VIOLÊNCIA DA ESCOLA?
Na escola a criança também muitas vezes se sente humilhada, rejeitada, também muitas vezes lhe é transmitido um sentimento de que ela, criança, não presta.
É desta situação que podem surgir reacções violentas para defesa da auto-estima. Essas reacções podem revestir-se de duas formas: – virar-se para dentro, com o insucesso escolar ou virar-se para fora com a violência sobre os outros, dentro da escola.
Têm sido aconselhadas várias medidas contra a violência na escola:
– protecção da vítima e sanção do agressor
– luta contra a lei do silêncio
– resolução de conflitos, mediação e desenvolvimento de uma cultura de mediação
– desenvolvimento de ambiente de participação e cooperação
-dar um papel importante aos directores de turma
-intervenções precoces e preventivas
– desenvolvimento de um “espírito de corpo” da escola para fomentar o gosto de pertença.
O psicanalista Emílio Salgueiro tem lançado a ideia de que necessitamos que a escola seja uma “escola maturativa”, isto é, uma escola que permita a vivência de experiências propiciadoras do bom desenvolvimento das crianças (para se sentirem seguras de si próprias, para desenvolverem comportamentos sociais, para aprenderem a lidar com as adversidades inevitáveis).
Talvez possamos dizer que algumas crianças que apresentam determinadas características pessoas e familiares, precisam encontrar locais e adultos com as seguintes características:
– Onde as façam gostar de si próprias;
– Onde as olhem nas suas capacidades e não apenas nas suas insuficiências e insucessos;
– Onde encontrem pessoas em quem confiar para poder sentir as coisas de uma outra forma;
– Onde a façam descobrir o prazer de aprender;
– Onde, através da palavra como veículo de afecto (amor e ódio) se organizem psicologicamente e reconstruam o seu caos interior (quando tal acontece);
– Onde encontrem ”modelos” que favoreçam a discriminação entre o bom e o mau, e ultrapasse a evacuação da
raiva contra tudo o que as rodeia;
– Onde possam ultrapassar as suas experiências traumáticas (vindas de repetições, continuidade e intensidade das falhas precoces), através de experiências relacionais positivas;
– Onde alguém perceba os seus actos de protesto (consequência de perdas e da suas desistência) e saiba ler esses sinais de esperança;
– Onde se sintam protegidas do meio exterior patológico, para depois não vir a atacar esse mesmo meio.
– Onde aprendam a identificar-se a outros modelos para evitar a identificação ao agressor e não venha a repetir a violência de que foram vítimas.
Sem atendermos a isto, não há disciplina, nem autoridade que consiga evitar o agravar de comportamentos agidos sobre os outros colegas.
