Londres, Paraíso Fiscal , Cidade onde tudo está a venda, um olhar sobre “o colateral”, sobre o subjacente, na City para os Jogos Olímpicos
Par Eric Albert (Londres, correspondance)
Divina surpresa para os organizadores dos Jogos Olímpicos: o novo teleférico que atravessa o Rio Tamisa a leste de Londres foi inaugurado a 28 de Junho. O projecto foi concebido independentemente dos Jogos Olímpicos e que estava prevista a sua inauguração para depois dos Jogos Olímpicos. Finalmente, ficou pronto bem mais cedo.
Bastam agora pouco mais que cinco minutos para se ligar Greenwich, onde se realizam os as provas de equitação , ao Centro Excel, onde se realizam as provas de boxe e do levantamento de peso.
O projecto é curioso: esses “ovos”, que são uma reminiscência das estâncias de Esqui, passam por cima das águas do Tamisa à altura de 90 metros de altura, encurtando-se as distâncias, onde uma ponte seria demasiado cara dado a largura do Rio. Mas o mais original não é isso: este novo equipamento atípico terá por dez anos o nome de linha de aviação dos Emirates Air Line, a companhia aérea de mesmo nome, tendo esta pago um pouco mais da metade do projecto, ou seja, 45 milhões de euros.
Melhor ainda, os mapas do metro, conhecido mundialmente pelo seu design característico, inalterado desde 1931, terá agora uma nova estação com o nome de uma empresa do Dubai: Emirates Greenwich Peninsula.
Os patrocínios tornaram-se um hábito para projectos públicos em Londres. A linha de aviação Emirates Air Line juntou-se a Sul à empresa O2, enorme sala de espectáculos anteriormente chamada Millennium Dome e que agora foi baptizada com o nome de uma empresa de telemóveis. A imensa escultura criada mesmo ao lado do Estádio Olímpico, uma pequena espécie de tipo de Torre Eiffel, é agora chamada ArcelorMittal Orbit, o nome do conglomerado de aço que financiou a maior parte do projecto.
As bicicletas para alugar em Londres, equivalentes de Vélib em Paris, são muito formalmente chamadas Barclays Cycle Hire. O logotipo do banco britânico está impresso na frente de cada bicicleta e o banco conseguiu que as pistas sejam pintadas a azul, a característica azul da marca. Tal como com a roda gigante à beira do Tamisa, esta tornou-se EDF Energy London Eye em 2011, tendo a empresa francesa de electricidade assinado um acordo de três anos.
Pragmatismo inglês
Todos estes patrocinadores seguem o modelo lançado em 2004 pela equipa de futebol do Arsenal. A falta de dinheiro e o facto de quererem construir um novo estádio para substituir o seu antigo campo de Highbury, tornado muito pequeno, levou o Arsenal a colocar em venda o nome do futuro lugar das suas façanhas desportivas, o seu novo estádio. E é assim que o novo campo para 60 000 lugares localizado em Ashburton Grove se tornou o Emirates Stadium. Lugar ao século XXI e à publicidade… Perto de uma década mais tarde, somos levados a constatar que isto marcha bem. Depois das hesitações dos primeiros tempos, os “Emiratos” passaram para a linguagem corrente através do mundo.
Pragmatismo inglês típico que permite o financiamento de projectos quando o dinheiro público está bem ausente, ou verdadeiramente numa atitude “predatória” para com o espírito da cidade? Bem, ninguém parece encontrar nada de especial a criticar em tudo isto. Em seguida, para quando teremos nós Trafalgar Square a passar então a ser chamada, por exemplo, de “Vinci Square” com estacionamento ao centro?
