Um Café na Internet
Isto aconteceu em 1950, acho eu. O Alexandre O’Neill coligiu os poemas de resistência ao fascismo, e eu tratei de imprimi-los, à noite, no mimeógrafo do meu pai. Fizemos assim a edição de uns 200 exemplares de um jornalzinho clandestino chamado A POMBA. Como lançá-lo? Sugeri:
– Vamos lançá-lo no cinema Tivoli.
E numa 5.ª feira à tarde lá estamos nós no 2.º balcão do Tivoli. A sala às escuras e quando surge a última cena do filme, puxamos os cordelinhos e AS POMBAS descem em revoada. Com um senão: o O’Neill atrapalha-se e deixa cair uma pilha de pombas sobre os cornos de um espectador da plateia. Mugido lancinante, lá em baixo:
– Ai o caraças…
Acendem-se as luzes, gritos, gargalhadas, palmas, todos a quererem apanhar AS POMBAS, confusão, um sucesso. Sorridentes, nós por ali à coca, Até chegar a PIDE
