Sim, moro em Lisboa, no Campo de Santana, frente ao jardim. Ao regressar a casa, no fim de tarde, dou sempre um passeio por entre as árvores. Mas há outros que por ali ficam a passear o dia inteiro; são os doidos mansos do Hospital Miguel Bombarda, que fica perto. Abordam toda a gente e quase sempre são enxotados. Eu, porém, dou-lhes troco; embora deficientes, são homens ainda.
Cavaqueiras sobre o saltitar dos pombos em busca do milho que atiro, sobre a navegação dos cisnes e o voo das cegonhas. Gostam de mim, até me chamam padrinho.
No bairro todos riem e dão-me a alcunha de padrinho dos malucos. As minhas lutas trouxeram-me alcunhas várias. Só me faltava esta…