a alta finança, os mesmos funcionários menores, os governos nacionais. Uma nova série.
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
3. Cálculos sobre probabilidades em JP Morgan
“Vai-se instalar em Las Vegas!” A sugestão do líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, dirigida, na terça-feira, 15 de Maio, ao Presidente do JPMorgan Chase depois de este ter perdido cerca de 2 mil milhões em operações de corretagem, parece próxima do poujadismo. Mesmo que as aparências sejam enganadoras, o sistema bancário dos E.U. não é um jogo de azar, não é um casino. Contudo, Jamie Dimon pode tentar algumas regras sobre probabilidades e manipular as percentagens para compreender a sua desventura.
0%: era a probabilidade para que o erro, que vai custar pelo menos 2 mil milhões ao maior banco americano em termos de activos, pudesse ocorrer. “Isto nunca poderia ter acontecido, não o posso justificar, sequer” disse Jamie Dimon, na terça-feira, na assembleia geral do JPMorgan.
0,01%: era a probabilidade de que Barack Obama dispusesse de uma conta no JPMorgan. Sem sorte, o Presidente dos EUA tem uma conta corrente na qual estão depositados cerca de 500.000 dólares. O pequeno investidor tem uma certa propensão para se declarar a favor duma regulamentação sobre os excessos dos banqueiros.
30 em 7000: é, segundo Jamie Dimon, o número dos lobistas presentes em Washington e que estão relacionados com o sector financeiro. Provavelmente muito pouco para que uma regulação seja imposta no Congresso dos EUA.
Quatro em cada dez: esta é a proporção de accionistas que eram favoráveis a que Jamie Dimon perdesse um dos seus dois cargos, o de Presidente ou o de Director-geral. É muito, mas não o suficiente para abandonar uma governança que sem dúvida já mostrou bem as suas provas… No entanto, eles eram muito mais numerosos (91,5%) a garantir o lugar de CEO a Jamie Dimon e a garantir-lhe o pagamento de 23 milhões dólares de remunerações e de 14 milhões a Ina Drew, a «Chief Investment Officer», que serviu de fusível. Como sempre, há 100% de possibilidades que os accionistas continuem a votar com os seus pés.
70-80%: esta é a proporção da lei Dodd-Frank, a regulação financeira adoptada pelos Estados Unidos em 2010, que passa a ter o apoio de Dimon. E ele está 100% de acordo com o espírito da regra Volcker, que proíbe a negociação por conta própria. É pois necessário que nada disto afecte os seus clientes. O que, sem dúvida, deixa uma margem de interpretação. E, depois, para concluir, há o último joguinho de probabilidades bem à moda de Wall Street, para saber o valor e as características das posições assumidas por JPMorgan no mercado para as colocar ao contrário. Somos tentados a avaliar em 0% as possibilidades de que Jamie Dimon revele este segredo tão bem guardado ele está. Mas após a investigação pelo FBI, o prognóstico será dificilmente defensável.
Stephane Lauer, Calculs de probabilité chez JPMorgan, Le Monde, Maio de 2012
