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EM COMBATE -145 – por José Brandão

Zonas de Operações

Na Guiné, exceptuando o arquipélago dos Bijagós (sem interesse militar), o terreno define duas zonas militarmente diferenciadas:

– A litoral – da costa até uma linha definida de norte para sul por Cuntima – Jumbembem – Porto Gole – Xime – Xitole – Aldeia Formosa;

– O interior – para leste da linha anterior até às fronteiras com o Senegal e a Guiné–Conacri.

Contudo, durante a guerra, quer os comandos militares portugueses, quer o PAIGC dividiram o território em três zonas, separando o litoral em Norte e Sul pelo rio Geba.

A divisão da Guiné em zonas de operações obedeceu à compartimentação do terreno, mas teve em consideração as importantes clivagens étnicas e religiosas dos grupos humanos da Guiné e os apoios que os países vizinhos deram à luta militar.

Foram assim estabelecidas três zonas de operações:

– Zona Norte: São Domingos (fronteira) Farim – Teixeira Pinto (Canchungo) – Oio Morés – Bissau

– Zona Sul: Fulacunda (Quinara) – Cubisseco – Catió Cantanhez – Quitafine – fronteira

– Zona Leste: Bafatá – Gabu (Nova Lamego) – Madina – fronteira norte (Pirada) – fronteira leste (Buruntuma).

Quartéis

A quadrícula militar em que os teatros de operações foram divididos originou a necessidade de criar o mínimo de condições para as unidades se instalarem no terreno. As acções de combate só podiam ser efectuadas a partir de uma base, onde as tropas dispusessem de um conjunto de serviços que lhes permitisse sobreviverem. Construir essa base, o quartel, foi tarefa que os militares portugueses realizaram muitas vezes em simultâneo com a actividade operacional. O Exército utilizou dois tipos de bases, as tácticas e as permanentes. As primeiras destinavam-se ao apoio directo e temporário a operações, normalmente de grande envergadura e onde as condições de vida eram as de um acampamento, com os militares a viverem em tendas e dispondo de reduzido apoio de serviços, quase sempre apenas uma cozinha de campanha, posto de socorros, instalação rudimentar de transmissões e pouco mais.

As bases permanentes, os quartéis, dispunham de instalações fixas, melhores ou piores segundo as circunstâncias, com órgãos de comando, administrativos e logísticos e foi nelas que assentou o dispositivo militar português, sendo o mais típico da guerra o quartel da companhia, onde viviam o seu dia-a-dia cerca de 200 homens, comandados por um capitão. A construção desses quartéis estava sujeita a número considerável de factores, uns de ordem operacional e outros de ordem logística, o primeiro dos quais era a localização, que, em princípio, devia estar de acordo com a situação. Por isso, eram por norma instalados nas zonas onde a actividade do inimigo era mais intensa, perto das suas bases das suas linhas de reabastecimento, em locais que facilitassem a defesa.

Tinha-se ainda em conta a necessidade de desenvolver actividades de acção psicológica, o que levou os militares portugueses a procurar também situar as suas unidades junto a povoações, com o objectivo de vigiar directamente as populações e de evitar que estas apoiassem os guerrilheiros. Para o efeito estabeleceram medidas de segurança, como controlo de acessos e registo de habitantes, e desenvolveram programas de acção psicossocial, através dos quais lhes forneciam serviços básicos de saúde, de escolaridade e de apoio à melhoria das condições de vida, colaborando na construção de melhores habitações, na abertura de poços de água e até no desenvolvimento agrícola.

Mas as considerações de ordem operacional estavam em grande parte sujeitas às limitações logísticas, pois não bastava colocar uma unidade em dado local: era necessário reabastecê-la por isso a localização dos quartéis estava condicionada à existência de vias de comunicação – e era ainda necessário que o local dispusesse de condições naturais para a vida do pessoal, principalmente que existisse água nas proximidades. Conjugar todos estes factores não era tarefa fácil, e a localização das unidades resultou sempre do compromisso entre os objectivos operacionais e as necessidades logísticas, e ainda e muito do aproveitamento de infra-estruturas existentes, as quais, não correspondendo por vezes de modo satisfatório nem a um nem a outra, evitavam novas construções, mais despesas e maior perda de tempo. Escolhido ou imposto o local onde instalar o quartel, havia que o construir ou melhorar, tarefa que, no respeitante aos quartéis de companhia, foi na grande maioria dos casos realizada pelas tropas e não por unidades especializadas de engenharia, as quais, regra geral, fizeram instalações para unidades de mais elevado escalão e para os órgãos de comando e de apoio.

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