EM COMBATE – 105 – por José Brandão

O combate era tão intenso, ao mesmo tempo confuso e difícil, que o comandante não teve outro remédio senão pedir apoio aéreo que actuou das 7,30 às 9 horas sobe as zonas onde se encontrava o inimigo, depois de se sinalizarem devidamente as nossas tropas com telas previamente distribuídas aos elementos mais avançados.

 

Entretanto, o soldado Modas, que se encontrava ferido desde o primeiro momento do ataque, mas devidamente assistido pelo médico da companhia, foi evacuado por helicóptero.

 

As nossas forças continuaram batendo pequenas matas fora do cerco e efectuando ataques à granada de mão em matas dentro da tabanca de Ingoré. Como já se referiu, aquele inferno parecia não ter fim, foi pedido apoio aéreo, pelo que às 9,30 horas chegava nova parelha de T6 que actua até às 11.00 horas. Foi precisamente um destes aviões que acabou por matar o 1º Cabo Manuel Pinto, mais conhecido por “Baião”. O moço não tinha camisa, pois andava em tronco nu. O piloto, deve-o ter confundido com um elemento inimigo, disparou um roket e foi o fim de uma vida. Foi um erro. Aconteceu. É revoltante. Mas como na guerra nada é normal, só temos que nos conformar e pedir a Deus que o tenha guardado em bom lugar. Este militar era o apontador de bazuca do meu pelotão. Foi de imediato feita a evacuação para o quartel e às 11.15 horas foi evacuado para Bissau. Meia hora depois chega nova parelha de T6 que depois de sobrevoar a zona atingida, retirou por ter terminado o tiroteio. Foi um duro golpe nos nossos soldados, pois o “Baião” era um rapaz alegre e amigo do seu amigo. E também por ter sido o primeiro morto em combate, ao fim de cerca de 17 meses de permanência na Guiné. O cerco manteve-se, organizaram-se equipas que bateram todas as matas, observavam-se aquelas árvores que nos ofereciam dúvidas onde poderia estar algum inimigo e quintais. Fazem-se rusgas dentro da tabanca, actuando pelo resto do dia.

 

A tabanca continuou cercada por todo o dia seguinte até cerca das 21.00 horas. Prenderam-se alguns elementos da população que por qualquer motivo se consideravam suspeitos. Calcula-se que os atacantes eram cerca de 400 e, segundo informações, até pelo sangue visto no terreno, o inimigo teria sofrido muitos mortos e feridos.

 

Estou plenamente convencido, que este ataque levou tanto tempo, devido à rápida reacção das nossas tropas, por termos cercado o inimigo e este não poder retirar.

 

Ano de 1968

 

Maio

 

Dia 10 – Embarquei de regresso à metrópole, onde cheguei no dia 16 do mesmo mês. Um jornal da época, publicou a seguinte notícia, sob o título “Regresso de tropas da Guiné”. Entra amanhã no Tejo, cerca das 8 horas, o paquete “Niassa”, que transporta, de regresso da Guiné, um contingente militar que terminou a sua comissão de serviço.

 

O desembarque está previsto para as 10 horas, na Estação Marítima de Alcântara. O ministro do Exército será representado pelo general José de Oliveira Vitoriano, Director dos Serviços de Pessoal”.

 

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A seguir – Companhia de Artilharia 1688

 

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