Parte I
Nota introdutória
Um pequeno curso sobre o que é o verdadeiro, o genial, o perfeito gangster, o bankster, termo este imortalizado, lamentavelmente assim , com a crise de 1929 e, por isso,
ainda hoje bem actual. Um pequeno curso com seis lições se inicia hoje com esta introdução ao manual do perfeito gangster, isto é, do perfeito bankster.
De resto o termo bankster ainda agora é bem utilizado por Simon Johnson, antigo economista-chefe do FMI a denunciar os golpes de Wall Street e as Instâncias internacionais que andam a defender sistematicamente os banksters, como o FMI, o BCE, a Comissão Europeia, e também a City Corporation, obviamente,.
Estive muito hesitante em publicar esta série de pequenos textos sobre o pequeno manual do perfeito bankster pois pensei que muitos leitores de A Viagem dos Argonautas de matriz bem católica, agora bem mais sofridos do que Cristo com as suas chagas e cientes de que ladrão que rouba ladrão merece cem anos de perdão, se quisessem transformar exactamente… exactamente em perfeitos gangsters e assaltar os nossos banqueiros reconhecidamente assumidos como banksters .
Seria um drama, eu seria considerado culpado de um objectivo alcançado mas por oposição àquele por mim desejado que é a consciencialização sobre o drama que se tem feito em Portugal e por toda a Europa e onde os banksters têm desempenhado um papel fundamental. Hesitei, hesitei, mas na sexta-feira negra em que o Passos Coelho se assumiu politicamente como um ladrão legalizado ao serviço do grande capital a publicamente roubar os trabalhadores, os pobres desta crise, para dar aos patrões, os eventualmente ricos desta situação, em nome, veja-se da competitividade, da produtividade, aí, decidi mesmo publicar este pequeno manual do perfeito gangster, do perfeito bankster. Talvez assim aprendamos a ver quem são os ladrões modernos. Mas tudo isto a fazer lembrar também uma enorme falta de sentido da realidade, a lembrar igualmente a frase durante muito tempo atribuída a Maria Antonieta face aos parisienses cheios de fome, mas que poderia ser igualmente atribuída a Passos Coelho face à fome que começa também a grassar em Portugal: “se não têm pães, que comam então brioches!” Maria Antonieta não disse aquela frase, que foi colocada por Rousseau na boca de outra princesa, que ele refere nas suas Confissões. Mas tudo isto lembra 1789 ou será que estaremos muito longe do ambiente que antecedeu a Revolução Francesa?
Que com este manual se aprenda e bem, mas não a roubar, pois de ladrões oficiais e não oficiais já o país está cheio , mas sim a defendermo-nos daquela classe política que tem estado e estará disposta a submeter-se calorosamente aos ditames de Bruxelas, da Troika, quando estes são os verdadeiros intermediários e leais servidores afinal dos grandes ladrões de que nos fala o pequeno manual.
E a concluir, não há por aí ninguém disponível para ser o Carl Levin português? Francamente faria falta.
Boa aprendizagem, pois, é o que vos desejo.
Júlio Marques Mota
