Parte III
Acordo sobre a libor, investigação sobre o HSBC quanto à lavagem de dinheiro…
Pequeno manual do perfeito gangster , (“bankster”)
(continuação)
Marjorie Cessac, Sophie Fay e Jean-Gabriel Fredet, Nouvel Observateur
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Especular para se protegerem
Era chamado de “a baleia de Londres”, antes que ele se tenha feito engolir vivo pelos tubarões do Tamisa … Oficialmente, o trader francês Bruno Iksil, um quadro sem grande história, tinha uma função um pouco chata dentro do JPMorgan: gerir o balanço e cobrir os seus riscos. Na realidade, ele tinha montado uma enorme máquina especulativa. Tudo feito sob o olhar de consentimento do seu superior hierárquico. Convencido de que o crescimento americano iria arrancar o trader vendeu muitos “CDS” uma espécie de seguro de crédito – dezenas de milhares de milhões … Tão maciçamente que os outros traders viram o erro e aceleraram a sua queda. JP Morgan acabou por perder neste negócio entre 4,3 e 5 mil milhões de euros. Como é que um único indivíduo poderia levar um banco considerado altamente reputado pela seriedade da sua gestão pode ser arrastado para uma tal loucura? “Quanto mais se exige dos bancos para que eles tenham maior volume de fundos próprios mais estes tentam contornar essa restrição com estratégias de cobertura utilizando de produtos sofisticados”, disse-nos um banqueiro. Para quê? Para os seus dirigentes : evitar que os accionistas se afastem de um sector pouco rentável. Para os traders: encaixarem bons bónus. Duplo falhanço para Jamie Dimon, o Presidente-executivo do JP Morgan e para Bruno Iksil, “a baleia”, que se demitiu, sem passar pela Caixa a receber os mirabolantes bónus.
Salvar os seus accionistas
Rodrigo Rato, ex-Presidente executivo de Bankia, o quarto banco espanhol, é acusado de “fraude”. “O banco tinha problemas de financiamento devido à má qualidade dos empréstimos por si concedidos dizem-nos de ADICAE, uma associação de defesa dos utilizadores dos serviços bancários. Para tentar lidar com a situação maquilhou as suas contas e procurou refazer a sua saúde financeira à custa dos seus clientes, vendendo-lhes acções de péssima qualidade, criando mesmo armadilhas para os mais incautos. “Bankia nasceu da fusão de sete caixas de poupança. Como banco Bankia foi introduzido em Bolsa em Julho de 2011. Ninguém alguma vez terá pensado que o seu Presidente-executivo não fosse um homem acima de toda a suspeita.
– O antigo ministro das Finanças, antigo director-geral do FMI não hesitava em manipular a contabilidade. A extensão dos danos, um prejuízo de 3,3 milhares de milhões, um balanço agravado de 32 mil milhões de activos imobiliários tóxicos o que só será conhecido na Primavera de 2012, quando o governo nacionalizou o banco espanhol em 45%. Os seus 400.000 accionistas perderam praticamente quase tudo. Por fim, o Bankia vendeu produtos sem valor aos seus clientes, títulos preferenciais- metade acções, metade obrigações. Os clientes pensavam ter feito uma aplicação sem risco. Ora o plano europeu de resgate dos bancos espanhóis coloca como condição expressa que os detentores destes títulos sejam levados a contribuir e a sofrer parte dos prejuízos. O calvário dos aforradores espanhóis só agora começou.
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O antigo especialista em informática do HSBC, Herve Falciani, que tinha chamado a atenção do fisco francês sobre a fraude fiscal dos clientes deste banco foi preso em Barcelona no dia 1 de Julho. A Suíça lançou um mandado internacional de prisão contra este homem que ela acusa de ter roubado os dados ao banco HSBC. . |
A cruzada de Carl Levin
Aos 78 anos, Carl Levin, senador de Michigan, que preside a Comissão de inquérito do Senado, fez tremer os maiores banqueiros do mundo. O seu mais recente alvo, é o HSBC, mas este não é o seu primeiro golpe contra a alta finança. Em 2008, com a crise de subprimes, este antigo advogado de Harvard lançou uma cruzada contra a fraude fiscal e o sigilo bancário que, disse ele, ter assumido “o lugar dos comunismos como inimigo público número um.” Desde então, ele incansavelmente denunciou a cumplicidade entre os bancos e os grandes contribuintes americanos, e bate-se frontalmente contra aos paraísos fiscais e tenta obrigar os candidatos às eleições presidenciais americanas a serem bem claros quanto às suas últimas declarações de rendimentos. Foi na base do seu trabalho que se pulverizou a UBS e o secreto bancário suíço e a seguir também a Goldman Sachs. Para a maioria dos americanos, ele é um herói. NATACHA TATU.
A tirar proveito do delito de iniciados
Raj Rajaratnam, fundador do fundo de investimento de Nova York, Galleon, está a cumprir uma pena de 11 anos por delito de iniciados. II não vendeu produtos hipotecários subprime, ele não especulou com o dinheiro do banco como Kerviel, não fez vigarice com as poupanças dos clientes como Madoff. Ele simplesmente utilizou as informações dos seus amigos para comprar e vender as acções na boa altura, no momento certo. Rajat Gupta, antigo director de McKinsey, célebre filantropo na Índia e também foi administrador de Goldman Sachs avisou-o de que o multimilionário Warren Buffett iria investir 5 mil milhões de dólares (4,10 mil milhões de euros) no célebre banco de negócios, o Goldman Sachs. Gupta acaba de ser julgado e aguarda a leitura da sentença. No total, Rajaratnam supostamente terá feito 55 milhões de lucros ilícitos, entre 2003 e 2009. Uma gota de água quando comparado com a fortuna que o sucesso do seu fundo de investimento, Galleon, lhe permitiu acumular: 1,20 mil milhões de euros em 2009, segundo a “Forbes”. Em Wall Street, a ganância não tem nenhum limite.

