Um dos países fundadores da manifestação, com grande e expresiva participação desde a edição inaugural de 1996, o Brasil tem assim uma longa tradição de presenças na Exposição de Arquitetura da Bienal. Partindo de seu privilegiado Pavilhão, situado numa área remarcável dos Giardini, espaço originária da Bienal que depois se alarga por toda a cidade, culminando com a recém-incorporada sede do Arsenale, pavilhão que das sedes estáveis de diversos países, naquele inaugural 1996 assiste a exaltação da obra de um mestre como Oscar Niemeyer com o Leone d’Oro pela Carreira gloriosamente realizada. Chegados que somos à 13ª. edição da significativa manifestação veneziana, um outro grande mestre da arquitetura e da cultura de um país de língua portuguesa, Álvaro Siza, recebe o mesmo galardão. Os prêmios de Niemeyer e de Siza, grandes representantes do Brasil e de Portugal, querem dizer de como a arquitetura mundial fale português.
O Pavilhão brasileiro – obra arquitetônica devida a Henrique Mindilin localizada num dos pontos privilegiados da área dos Giardini e que até hoje, depois de tantas manifestações artísticas, mantém-se sempre fresco e naturalmente convidativo pela estrutura aberta.que alarga o espaço construído àquele exterior do jardim – este Pavilhão hospeda nesta 13ª. Bienal da Arquitetura uma , por muitas razões, interessante exposição. Nela estão presentes dois representantes de momentos complementares das atividades arquetetônicas brasileiras: o grande mestre histórico, Lúcio Costa (1902-1998) e um arquiteto crescido nas lições do mestre criador de Brasília, Márcio Kogan (1953). Sob a titulação geral de “Convivialidade” , a organização da exposição a partir do comissariado estável ligado à Bienal de São Paulo teve a magnífica idéia de repropor dois momentos da arquitetura brasileira contemporânea. Em particular a presença de Lúcio Costa é de particular significado. Geralmente esquecido em face da figura centenária sempre de grande impacto de Oscar Niemeyer, o segundo nome dos geniais construtores da Capital brasileira mantém-se predominantemente numa imerecide zona de sombra. O valor do grande urbanista e arqueiteto que foi Lúcio Costa, possivelmente o maior teorizador da moderna Escola brasileira de arquitetura, deve ter o mesmo espaço devido ao genial Niemeyer.
A Exposição de Veneza recupara um especial momento operativo de Lúcio Costa, aquele da instalação por ele realizada para a inauguração do pavilhão brasileiro da Trienal de Arte de Milão, de 1964., sob o acativante título de Descansar, com as estruturas portantes que sustentam as redes de diversas cores, formas compositivas de um espaço muito especial. A instalação de Lúicio Costa, no imediato efeito proposto pelo seu tão somente aparente motivo estático, demonstra como a mentalidade criativa que constrói uma metrópole em pouco mais de dois anos possa confundir-se igualmente com aquela outra que faz o elogio do ócio existencial. O público vem imediatamente atraído pelo convite das redes, provocando uma presença estável de pessoas de todas as idades que improvisamente descobrem a beleza da serenidade nos espaços dos jardins venezianos.
Márcio Kogan, através do seu atelier MK27 leva adiante as lições do Mestre, o que vem comprovado pelo muito especial vídeo – uma compacta estrutura metálica, de 2 metros de altura por 5 de comprimento, com a qual apresenta uma sequência de grandes conquistas para o expectador que nela contempla, isoladamente, a ação ampla escondida por detrás de dez vizores prontos a revelações imprevistas. O expectador se surpreende de encontrar-se em plena dinamicidade depois de uma quase indiferente, inicial atitude de quem se colocara numa aparente posição puramentee pessoal.
Realiza-se assim uma integração de diversos, mas coerentes tempos da arquitetura brasileira contemporânea com as figuras de um recuperado Lúcio Costa da Trienal milanesa e Márcio Kogan, um operador de arquitetura sempre ativo..
Além do seu muito vivaz Pavilhão, a arquitetura brasileira apresenta-se igualmente como modelo reconhecido internacionalmente em muitos espaços da 13ª. Bienal de Arquitetura de Veneza. O Pavilhão Central, justamente aquele que permite o mais amplo alargamento da temática proposta pelo organizador da Exsposição veneziana, o arquiteto inglês David Chipperfield, de exaltar em modo especial a importância de uma reconhecida Escola brasileira de arquitetura. Num dos espaços mais amplos do Pavilhão Central, o atelier de arquitetos irlandeses, Crafton Architects, expõe uma própria pesquisa realizada a partir do exemplo procurado na obra do arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (1928), em particular na construção do Estádio de Serra Dourada, de Goiânia; naquela do Hipódromo da mesma capital de Goiás; nas obras levantadas para o Clube Atlético Paulistano, de São Paulo, bem como da sede da Fundação Getúlio Vargas da capital paulista. Os arquitetos irlandeses do P. M. Ac K estudam a teoria de “A arquitetura como uma nova geografia” do arquiteto brasileiro, nascido em Vitória (Espírito Santo), ativo em São Paulo com os movimentos vanguardistas dos anos da década de 50, Prêmio Rohe (2000) e Prêmio Pritzker (2006) e através dela vencem recentemente um concurso internacional para a construção de uma universidade em Lima (Perú). A seção irlandesa é inteiramente uma exaltação da arquitetura vanguardista de Paulo Mendes da Rocha.
Ainda no Pavilhão Central, num setor dedicado às Novas Cidades, entre outros exemplos internacionais, encontra-se um grande painel colorido dedicado aos planos urgbanísticos de cidades satélites do imenso aglomerado urbano que é São Paulo. O exemplo então recolhido é aquele de Alphaville Tamboré, de 1973, realizado pela Alphaville Urbanismo S. P., dos engenheiros civis Yojiro Takaoka e Renato de Renato de Albuquerque (estranhamente sem os nomes dos arquitetos responsáveis pela obra), projeto em pleno desenvolvimento neste 2012 com seus jardins e espaço urbanístico de renovado interesse.
O Pavilhão da Inglaterra é um outro espaço da Exposição veneziana que exalta outro grande exemplo da Escola brasileira de arquitetura. O Pavilhão se apresenta com um amplo quadro referente ao desenvolvimento das pesquisa dos jovens arquitetos ingleses a partir de exemplos marcantes da arquitetura internacional. Um grande espaço é dedicado ao movimento chamado “Arquitetura Aberrante”, movimento fundado pelos diretores David Chambers e Kevin Harely e relacionado com a grande experiência dos anos de 1980, no Rio de Janeiro, resultada do projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, completado pela pedagogia de vanguarda de Darcy Ribeiro e pela ação política de Leonel Brizola: a edificação de novos modelos de edifícios escolares, os CIEPs (centros integrados de pública instrução), de grande sucesso e que hoje alcança o número de 508 unidades construídas em todo o Estado fluminense. O CIEP, exemplo de aplicação de grande modernidade do cimento armado e do aço devido ao gênio de Niemeyer, apresenta uma estrutura geral estável de suas diversas áreas: Prédio principal; Recreio coberto; Centro médico; Refeitório; Bblioteca; Caixas d’água; Piscinas; Área de esportes; Horta-jardim. A partir dele o movimento de Aberrante Arquitetura planeja a criação de novas escolas para o ensino primário, com grande redução de custos, mas igualmente como modelos de alta qualidade escolar, accessível a todos os estudantes.
