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DIÁRIO DE BORDO de 30 de Setembro de 2012

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, numa entrevista dada  ontem, chamou a atenção para o perigo de uma crise de confiança dos cidadãos na capacidade dos líderes políticos poder transformar-se numa crise do projecto europeu. Esta falta de confiança “pode pôr em causa décadas de trabalho conjunto” na construção da União Europeia (UE). Esta declaração vinda de um dos elementos cujo comportamento mais contribuíram para desacreditar o governo de Passos Coelho. É, no mínimo, curiosa. Tem sido, no entanto, um elemento útil – os casos que foi criando – as ameaças à jornalista do Público, a questão da licenciatura, não sendo de uma grande importância, ajudaram a desviar as atenções da política de desastre praticada pelo primeiro-ministro.

Este executivo não tem condições para continuar a governar.

Os sinais de desagregação, vêm inclusivamente do interior do PSD e são em tal quantidade que nem merece a pena referi-los. A grande manifestação de ontem , com cerca de cem mil pessoas,  e a possibilidade da convocação de  uma greve geral demonstram também que Passos Coelho  vai ter protestos em crescendo (tal como Mariano Rajoy). O discurso do secretário-geral da CGTP foi fraco, previsível, com banalidades como «se Passos Coelho não ouve, é porque ouve mal» e «o Terreiro do Paço transformou-se em terreiro do Povo» – o admitir a realização de uma greve geral, também previsível, foi no entanto um dado positivo. Passos Coelho é um homem cercado. Fará uma remodelação, deixando cair, alguns dos ministros mais impopulares. (Relvas poderá ser um deles). Mas no executivo o primeiro a ser substituído deve ser o primeiro-ministro.

Voltando a Relvas – como podem os cidadãos acreditar em políticos que incentivaram durante décadas o recurso ao crédito, quase obrigando as pessoas a recorreram  a empréstimos, com ex-membros dos governos a enriquecerem de uma forma que só pode ter sido ilícita e, de um momento para o outro, declaram que gastámos acima das possibilidades e nos obrigam a pagar os roubos cometidos por amigos e familiares (quando não mesmo por eles próprios)?

A questão é – a queda do governo e a realização de eleições antecipadas serão soluções efectivas para a situação que vivemos? António José Seguro não dá garantias de ter ideias para resolver esta situação crítica em que nos encontramos. No entanto, tudo se conjuga para que o PS ganhe as próximas eleições. Quando é que as pessoas perceberão que quem manda no PSD, manda também no PS.? Derrubar Passos Coelho? Eleger António José Seguro?

Derrubar o sistema mafioso e eleger a transparência democrática. Esse é que seria o caminho.

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