Os governantes portugueses, na sua maioria, têm-nos tratado desde sempre com pouca consideração. Para os que temos agora somos piegas, há muitas cigarras, emigrem, etc. Mas ultimamente parece que estão pior: para além de serem maus parece que estão a perder totalmente a noção da realidade. Isto não tem graça nenhuma, porque nos coloca a todos em perigo grave, melhor dito, ainda mais grave. Vejamos os últimos dias.
Passos Coelho desencadeia o folhetim da TSU e é obrigado a recuar. Ao fim e ao cabo toda a gente achou a medida um monumental disparate. Como foi possível um primeiro-ministro dar uma calinada destas? Há umas excepções, claro, ao coro geral de reprovação: António Borges e mais meia dúzia. Pergunta-se como é que o governo de um país não compreende que o dinheiro não pode estar todo nos bolsos de meia dúzia de pessoas. E que pessoas… Será que querem passar a trazer-nos o almoço a casa? Mas eles fartam-se de falar que temos de sair da nossa zona de conforto!
A ministra da Justiça proclamou o fim da impunidade, parece que na sequência das buscas em casa de Mário Lino (terão encontrado algum camelo?) e de mais alguns senhores que pertenceram ao governo de José Sócrates. A senhora, se acredita no que diz, anda claramente fora deste mundo. Se não acredita, deve achar-nos a todos uma cambada de atrasados mentais. Se calhar as duas coisas são verdadeiras. Tanto faz que acredite ou não no que diz.
Agora querem privatizar a Caixa Geral dos Depósitos. Os reformados e os pensionistas sempre tiveram no banco público uma garantia, sempre relativa, é verdade, mas de qualquer modo muito importante, de que não lhes faltariam as reformas e pensões. Para os pequenos e médios comerciantes, industriais e agricultores que conseguissem sobreviver ao tsunami neoliberal, poderia significar um apoio importante para terem quem lhes faça crédito em condições razoáveis, porque é óbvio que a banca privada não vai querer reduzir spreads, taxas de juro, etc. Passar a Caixa aos privados é claramente mais um tiro nas já muito vagas hipóteses de recuperação do país.
E quanto aos mentores deste desgraçado processo? O grupo de Bilderberg, a maçonaria, seja quem for? Que ideias têm sobre o nosso futuro? O mais provável é que nenhumas. Temos que nos governar sem eles. Na realidade, temos que nos governar contra eles.

