DIÁRIO DE BORDO, 16 de Agosto de 2012

Todos os dias nos deparamos com questões que nos parecem óbvias. Problemas cuja solução parece óbvia. Vejam a crise financeira em que estamos mergulhados. Parece-nos óbvio, é óbvio que foi causada por uma má condução financeira das finanças, públicas e privadas. E chegou-se a um impasse político que se afigura de difícil saída. O último episódio deste drama, em que nós, pobres europeus (seremos mesmo europeus?), que até somos a inveja do mundo (as pessoas têm de invejar qualquer coisa) nos debatemos, tem como ponto fulcral o Banco Central Europeu. A saída para a presente crise (para entrarmos na próxima crise, claro) estaria em o famigerado BCE emprestar dinheiro aos estados a juros baixos, tal como tem feito aos bancos. Entretanto, toda a malta dos chamados países periféricos (parece que a Espanha e a Itália também já são periféricos) pôs o dinheiro nos bancos alemães. E os bancos alemães no BCE. E agora não querem que o BCE empreste barato aos periféricos. Perceberam? Diário de Bordo só diz: andam a brincar connosco. Os alemães dizem que não querem perder o dinheirinho deles, que os periféricos são uns gastadores, etc. Até compram submarinos (aos alemães, claro) de que não precisam para nada. Não será que os alemães querem que a crise continue? Como estão a ganhar com ela…

A vinda a público das poucas-vergonhas feitas com a taxa LIBOR chama-nos mais uma vez a atenção para o cerne da questão. Que tem uma solução óbvia. A nacionalização da banca. Não a nacionalização dos prejuízos da banca, como foi no caso no BPN, e se teme que possa vir a ser no eventual caso do BCP, que será ainda mais grave. A nacionalização da banca, incluindo todos os seus activos. Claro que não vai ser o Passos a fazê-lo. Nem o Sócrates, perdão o Seguro. Nem a Merkel, ou mesmo o Hollande. O problema dos portugueses, e dos europeus, é esse. Encontrar quem dê as soluções óbvias às questões.

Não é a única questão com solução óbvia. Mas é talvez a mais importante, e não só para a Europa. Os obstáculos são de natureza política, evidentemente política. Para controlar as enormes massas de dinheiro que circulam à margem da sociedade, e fazê-las descer à terra, não chegam meras regulações bancárias ou do mercado, que até o financeiro Paul Singer (não confundir com o filósofo Peter Singer), amigo e conselheiro de Mitt Romney recomenda. É preciso deitar-lhes a mão. É preciso que todos nós lhes deitemos a mão. Para não nos deitarem a mão a nós, ainda mais do que já o fizeram.

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