Estamos numa fase em que estalam polémicas por causa de declarações infelizes, provenientes dos mais variados (e inesperados) recantos. Até da Alemanha, vejam lá, cujos naturais são tidos por gente grave, séria, capazes de excessos tremendos, mas que geralmente passam por pessoas instruídas, têm vindo notícias de disparates, ou talvez não, ditos por pessoas com responsabilidades.
Que os alemães têm preconceitos, é do conhecimento geral. Com certeza que nem todos os alemães, mas pelo menos alguns. E alguns em cargos de responsabilidade têm proferido afirmações pouco agradáveis para os portugueses, e não só. Agora foi a vez de outros senhor, Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, por sinal ligado ao partido social-democrata, adversário portanto de Angela Merkel, que proferiu críticas por Passos Coelho ter ido a Angola e encorajado investimentos angolanos em Portugal, para as privatizaçõesem curso. Osenhor Schulz afirmou que Portugal arrisca o declínio por não compreender que só tem futuro no quadro europeu. Pronto. Mas o que parece inegável é que não gostou do pedido de Passos Coelho no sentido de os angolanos investiremem Portugal. Proferiutambém palavras muito duras sobre a China. Que tem uma sociedade esclavagista, etc. Não é ir longe demais pensar que andam aqui sequelas da entrada da China na EDP, batendo a empresa pública alemã EON no concurso efectuado. Curiosamente, a chanceler Angela Merkel foi há dias à China para manter conversações no campo da cooperação comercial e económica.
Angela Merkel (que mulher tão falada!) ofereceu-se para participar na campanha eleitoral de Nicolas Sarkozy, que as eleições em França estão para breve. E recusou receber o rival, François Hollande. Parece que estamos a ser peões nas lutas eleitorais internas da Alemanha. Bem que nos podemos preparar. As iniciativas de Portugal de fortalecer laços comerciais, económicos e outros com países fora da União Europeia parece que vão passar a ser alvo de escrutínio, e não só, provavelmente. Nos EUA censuram a União Europeia por não falar a uma só voz. Parece que há uma voz a querer impor-se. A América Latina era o pátio das traseiras dos EUA. Parece que está a querer libertar-se dessa fase. Será que nós, a Espanha, a Grécia, vamos ser o pátio das traseiras da Alemanha?

