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POESIA AO AMANHECER – 55 – por Manuel Simões

Amadeu Baptista – Portugal

( 1953  –   )

INTERVALO PARA LEONARD COHEN

E o mistério? Ainda transfiguramos

o mistério no rastro inacessível da verdade,

ainda trocamos o crepúsculo por outra linha fugaz no horizonte ígneo. A sombra                                                                                                            fugitiva

que habita o nosso corpo, a alma,

a insegura alma de existirmos?

Nascem e morrem, as cidades,

sucedem-se os dias, as estações, os anos,

esfuma-se o tempo, foge entre os dedos a vida

que nos religa à fuga uma outra vez ainda,

a solidão ameaça, procura-nos a morte

com o medo de querermos instintivamente resistir, a verdade efémera, o amor.

Outro cigarro?

Outro mistério, ainda,

na auréola de fumo sobre as cabeças

– e o mistério, a que devastação conclama?

O destino das coisas, o mundo de instantes

à deriva?

Estreou-se com o livro “As Passagens Secretas” (1982), destacando-se da sua vasta obra: “O Sossego da Luz” (1989), “A Construção de Ninive” (2001), “Paixão” (2003), “Salmo” (2004), “Negrume” (2006), “O Bosque Cintilante” (2008), “Outros Domínios (Clamor por Florbela Espanca)” (2008, 2ª ed. 2011).

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